Fórum Açoriano promove debate sobre o ativismo público
17 de out. de 2022, 10:43
— Rui Jorge Cabral
O Fórum Açoriano - Associação Cívica vai promover uma mesa-redonda
com o tema “Ativismo Público: novas lutas (e alternativas) para um Mundo
em mudança”, onde o ativismo público estará em debate nas vertentes dos
media, do ambiente e da política.Com entrada livre a toda a
comunidade, esta mesa-redonda vai decorrer no auditório da Biblioteca
Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, pelas 17h00 de sábado, dia
29 de outubro, tendo como convidados Isabel Babo (Reitora da
Universidade Lusófona do Porto) que irá abordar o tema do ativismo nos
media; João Joanaz Melo (Professor da Universidade Nova de Lisboa), que
irá por seu lado abordar o tema do ativismo ambiental e Manuel Arriaga
(Professor da Universidade de Nova Iorque/Stern) que irá falar sobre o
ativismo político.Esta é a primeira iniciativa da atual direção do
Fórum Açoriano, Associação Cívica que irá assinalar 30 anos de
existência em 2023.Conforme explica em declarações ao
Açoriano Oriental a presidente da direção do Fórum Açoriano, Pilar
Damião de Medeiros, esta iniciativa justifica-se com os tempos atuais
“uma vez que são temas que estão na ordem do dia. Pretendemos trazer
para o centro do debate exemplos de diferentes movimentos cívicos e
novas formas de ativismo público que têm vindo a desafiar as práticas
correntes de uma democracia representativa. Pese embora muitos deles têm
início no mundo digital, nas redes sociais, torna-se relevante perceber
as consequências diretas na Realpolitik.”Para Pilar Damião de
Medeiros, “a cidadania necessita de pessoas corretamente informadas”
mais ainda quando as sociedades atuais se debatem com problemas “como o
ressurgimento dos nacionalismos de exclusão, e o chamado ‘défice
democrático’, que se traduz nas elevadas taxas de abstenção, resultante
do desfasamento entre os cidadãos e o campo da política”.Neste
aspeto, Pilar Damião de Medeiros destaca um dos temas que Manuel Arriaga
traz a este debate, o das Assembleias de Cidadãos, dando como exemplo a
cidade de Toronto, no Canadá, onde o município recebe contributos para a
tomada de decisão política com base na opinião de cidadãos escolhidos
através de uma amostra representativa. “Modelo este que serve de
resposta às limitações da democracia representativa”, afirma Pilar
Damião de Medeiros. Citando o filósofo e sociólogo francês, Edgar
Morin, segundo o qual “a regeneração democrática supõe a regeneração do
civismo e a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e
da responsabilidade”, Pilar Damião de Medeiros salienta a necessidade
de os cidadãos revitalizarem o espaço público com debates, reflexões e
ações conjuntas, ou seja, “com processos radicalmente mais democráticos e
deliberativos”.Por isso, conclui a presidente da direção do Fórum
Açoriano, “é fundamental criarmos uma consciência de intervenção e de
ativismo público em todas as suas dimensões, porque precisamos dar um
salto qualitativo e, sem o contributo dos cidadãos, estaremos a pôr em
causa a própria democracia”. Regresso em força em 2023 com os 30 anos do Fórum AçorianoO
Fórum Açoriano - Associação Cívica vai assinalar 30 anos de existência
em 2023, numa comemoração que terá o seu ponto alto no dia 3 junho -
data da fundação - mas que será marcada ao longo do próximo ano por
várias iniciativas que estão a ser preparadas pela nova direção do Fórum
Açoriano.Em declarações ao Açoriano Oriental, a presidente da
direção do Fórum Açoriano refere que “neste momento, já temos uma nova
imagem do Fórum Açoriano, estamos a atualizar a nossa integração nas
redes sociais, a atualizar a nossa rede de contactos e de associados,
bem como a rever os estatutos, para regressarmos em força em 2023, com
as comemorações dos 30 anos do Fórum Açoriano”.Recorde-se que os
novos órgãos sociais do Fórum Açoriano para o triénio 2022-2024 foram
eleitos no final do passado mês de abril. A nova direção é presidida por
Pilar Damião de Medeiros, tendo por vice-presidentes Alexandre Pascoal e
Ana Cunha, sendo que os novos órgãos sociais do Fórum Açoriano foram
constituídos com um critério de paridade de género, integrando seis
membros masculinos e seis femininos, com os três órgãos diretivos do
Fórum Açoriano a serem presididos por mulheres.A Associação Cívica
Fórum Açoriano foi fundada em 1993, tem sede no concelho de Ponta
Delgada e o seu primeiro presidente foi Roberto Amaral, tendo por ele
passado ao longo das últimas três décadas figuras como Conceição Garcia,
Gilberta Rocha, Isabel Marques Ribeiro, Carlos Lopes, Eduardo Paz
Ferreira, José Medeiros Ferreira ou o recentemente falecido Mário
Mesquita, que nos primeiros anos do Fórum era o dinamizador do núcleo
desta Associação Cívica em Lisboa.