Forças Armadas alegam que participação na procissão do Santo Cristo é tradição enraizada
Hoje 16:38
— Lusa/AO Online
“A presença
das Forças Armadas neste e noutros eventos de diversa natureza
representa uma tradição enraizada ao longo de muitos anos, simbolizando a
continuidade da relação histórica entre a instituição militar e a
sociedade, além de contribuir para fortalecer os laços de confiança,
respeito, proximidade e pertença entre os militares presentes na região e
a população”, adiantou o Estado-Maior-General das Forças Armadas, numa
resposta por escrito à Lusa.Um dos pontos
altos das festas do Santo Cristo, em Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel, é a procissão da mudança da imagem, que decorre no sábado, no
Campo de São Francisco.Todos os anos a
imagem, que sai pelas 16h30, passa em frente à
guarda de honra prestada por uma companhia do Exército e pela Banda da
Zona Militar dos Açores, com salva por uma corveta da Marinha, uma
cerimónia que consta do programa oficial das festividades.Num
comunicado enviado à agência Lusa na quarta-feira, a Associação
República e Laicidade contestou a participação das Forças Armadas nas
celebrações do Santo Cristo, alegando que representava uma violação do
princípio constitucional.A associação
disse ter enviado uma carta aos chefes de Estado Maior dos três ramos
das Forças Armadas, afirmando que "a participação de forças militares em
cerimónias religiosas, sejam de que religião forem, é manifestamente
inconstitucional face ao princípio de separação, e infringe a liberdade
de consciências dos militares que, mesmo que professando uma convicção
religiosa, mantêm o direito de não participar em atos de culto".O
grupo apelou à "não concretização da participação das forças militares
nas cerimónias religiosas" e revelou que "se tal se verificar irá
recorrer às instituições estatais pertinentes que possam garantir o
cumprimento da Constituição e da lei".Questionado
por escrito pela Lusa, o Estado-Maior General das Forças Armadas disse
que “as Forças Armadas pautam a sua atuação por uma relação de
proximidade e ligação permanente à sociedade, procurando marcar presença
em momentos de particular relevância coletiva e elevada participação
comunitária”.Segundo o Estado-Maior
General das Forças Armadas a participação institucional “em iniciativas
de significativo impacto público” constitui “uma forma de reforçar a
ligação entre os militares e a população, promovendo uma maior perceção
do papel e da importância das Forças Armadas para o país e para os
cidadãos”.“A participação em eventos com
enraizada tradição e amplamente mobilizadores das comunidades permite
consolidar a ligação entre as Forças Armadas e a sociedade, evidenciando
a importância e a relevância das Forças Armadas”, reforçou.O provedor da Irmandade do Santo Cristo dos Milagres,
Carlos Faria e Maia, disse à Lusa não ter conhecimento das cartas
enviadas pela associação, sublinhando que a participação militar já se
realiza "há muitos e muitos anos"."A
guarda de honra consta do programa habitual. É uma homenagem ao Senhor
Santo Cristo que as Forças Armadas prestam", sustentou.