Força Aérea pretende ter seis tripulações de busca e salvamento nos Açores
8 de set. de 2025, 15:37
— Lusa/AO Online
“O
nosso nível de ambição é ter, no mínimo seis tripulações, de
[helicópteros] EH101 [Merlin] no arquipélago”, afirmou, em declarações à
Lusa, o comandante da Zona Aérea dos Açores, major-general António
Moldão.No dia em que arranca o exercício
avançado de busca e salvamento ASAREX, nos Açores, António Moldão,
destacou a importância da Base Aérea n.º 4, na ilha Terceira, nesta
área.“O esforço operacional é muito
grande. A quantidade de evacuações [médicas] e de resgates que aqui é
feita é muito grande”, vincou.A esquadra 752 “Fénix” foi criada há dois anos e ainda tem algumas limitações no número de operacionais.“Estamos
profundamente cientes da relevância desta unidade aérea operacional e
estamos a fazer tudo o possível para que o crescimento da esquadra 752
se consolide e ele está no bom caminho”, reiterou o comandante da Zona
Aérea dos Açores.António Moldão admitiu
que os recursos humanos são um desafio na Força Aérea, que não consegue
evitar muitas vezes a fuga para a aviação civil.Além disso, a formação de um piloto-comandante para os EH-101 Merlin pode demorar cerca de 10 anos.“São
recursos humanos altamente qualificados, desde os pilotos, aos
operadores de guincho, aos recuperadores-salvadores. A formação de todo
esse acervo humano é uma formação que leva anos”, apontou.A
esquadra 752 tem atualmente apenas um piloto-comandante destacado,
tendo de recorrer, por vezes, ao apoio da esquadra 751 da Base Aérea
número 6, do Montijo.“Ainda temos tido
necessidade de ter pilotos-comandantes projetados do Montijo para
colaborar neste esforço”, reconheceu o comandante da Zona Aérea dos
Açores.“Eu próprio sou também
piloto-comandante do EH-101 e faço também evacuações aeromédicas e
resgates no arquipélago e dou o meu contributo”, acrescentou.Neste momento, a esquadra 752 garante “em permanência, no mínimo duas tripulações, de EH-101”.A
Força Aérea portuguesa tem vindo a formar uma “quantidade significativa
de novos pilotos todos os anos”, mas há outras esquadras a necessitar
de recursos humanos, com outras aeronaves.“A
consolidação desta capacidade aqui nos Açores está a ser feita, está a
seguir o seu caminho. O objetivo é ter no mínimo seis tripulações.
Havemos de o conseguir. Não estamos lá ainda, mas estamos a trabalhar
para que isso aconteça o mais brevemente possível”, reforçou António
Moldão.O comandante da Zona Aérea dos
Açores destacou o “trabalho extraordinário” não só das tripulações como
das equipas de manutenção, que permitem ter dois helicópteros em
prontidão todos os dias.“Nesta unidade,
estamos a conseguir regenerar mais de 1.000 horas de voo de EH por ano. É
um esforço significativo. Sensivelmente 50% das horas de voo de EH são
voadas no arquipélago dos Açores”, frisou.As
missões de busca e salvamento nos Açores podem ocorrer a 350 milhas de
distância, demorando entre seis a oito horas, por isso é fundamental ter
uma segunda tripulação preparada para avançar. "A
salvaguarda dessa tripulação é o segundo helicóptero e a segunda
tripulação que está pronta para descolar caso aconteça alguma catástrofe
com o helicóptero que está no ar”, explicou António Moldão.