Força Aérea Portuguesa rejeita responsabilidades na autorização de escalas técnicas nas Lajes
19 de jul. de 2019, 09:20
— Lusa/AO Online
“A Força Aérea informa que desde a
certificação para uso civil da Base Aérea n.º 4 (BA4), no dia 22 julho
de 2018, a autorização para qualquer movimento de aeronaves civis é
responsabilidade da Aerogare Civil das Lajes”, adiantou fonte oficial em
resposta a questões colocadas por escrito pela Lusa.O
líder do CDS-PP/Açores disse hoje que o número de escalas técnicas no
Aeroporto Internacional das Lajes diminuiu “drasticamente” desde a sua
certificação para a utilização permanente pela aviação civil, tecendo
críticas ao executivo açoriano, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro,
e à Força Aérea Portuguesa.“A conclusão a
que chegamos é que ficou tudo na mesma ou piorou. E piorou
relativamente às escalas técnicas. As escalas técnicas diminuíram
drasticamente por uma conjunção de esforços da SATA [transportadora
aérea açoriana] e da Força Aérea que, deliberadamente, não aceitam e
recusam escalas técnicas pedidas para as Lajes, que depois têm de
derivar para outro aeroporto”, afirmou o líder regional centrista, Artur
Lima, à margem de uma reunião com a direção da Aerogare Civil das
Lajes.Em 23 de julho de 2018, foi assinado
um protocolo para a certificação para a utilização permanente pela
aviação civil do Aeroporto Internacional das Lajes, onde estão a Base
Aérea n.º 4, da Força Aérea Portuguesa, e o 65th Air Base Group, da
Força Aérea norte-americana.Segundo o
líder regional centrista, têm sido recusadas escalas técnicas às
terças-feiras, quintas-feiras e sábados e há até mesmo uma companhia
aérea que aguarda por autorização para uma escala frequente. “Foi
pedido por uma companhia aérea – e isto é um escândalo – a operação de
um A380 para escalar as Lajes, em escala técnica, de 15 em 15 dias. O
pedido foi feito já há muito tempo e a Força Aérea ainda não respondeu.
Um A380, o maior avião de passageiros do mundo, para escalar as Lajes, a
única pista nos Açores em que é possível”, frisou.O
também líder da bancada parlamentar do CDS na Assembleia Legislativa
dos Açores adiantou que a justificação que terá sido dada oficiosamente à
companhia aérea relacionada com a “envergadura da asa” não é válida,
tendo em conta que operam nas Lajes o maior avião de carga do mundo e um
avião militar de grande dimensão. Em
resposta à Lusa, a Força Aérea Portuguesa confirmou que houve uma
empresa que “mostrou interesse em utilizar a BA4 como alternante, com
uma aeronave do tipo A380”, mas salientou que a infraestrutura não tem
condições de segurança para a operação deste tipo de aeronave.“Mais
se informa que a BA4 é um aeródromo de categoria 8 e que a operação da
aeronave A380 exige categoria 10. Mantendo-se essas condições não é
possível a sua operação na BA4”, realçou.Questionada
também pela Lusa, fonte da Secretaria Regional dos Transportes e Obras
Públicas remeteu esclarecimentos para esta sexta-feira.