Fome mata mais do que sida, tuberculose e malária juntas
7 de nov. de 2017, 18:38
— Lusa/AO online
A
fome “mata mais pessoas do que a sida, a tuberculose e a malária
juntas”, afirmou Robert Opp durante a sua intervenção na cimeira, em
Lisboa, onde apresentou cinco formas de utilizar a tecnologia para
combater o problema da fome.Um
dos desafios do PAM é “usar a tecnologia para atacar um dos maiores,
mais duradouros e um dos mais trágicos” problemas que a humanidade
enfrenta, sublinhou o responsável.Um
dos desafios passa por utilizar ‘drones’ e inteligência artificial para
avaliar a situação em que se encontra o local correspondente à crise
humanitária de forma a poder atuar rápida e assertivamente.Durante
o seu discurso, Robert Opp apontou como objetivo a criação de uma
plataforma ‘online’ que interliga produtores e consumidores, pois
considera que em muitos países os mercados “não são eficientes”.O
diretor de Inovação do PAM acrescentou que serão desenvolvidas novas
plataformas para que os cidadãos possam participar no programa e ajudar a
combater a fome do mundo, uma vez que, considerou, os donativos “não
são suficientes”.Cerca de 815 milhões de pessoas no mundo “não têm comida suficiente” devido a catástrofes naturais, conflitos e pobreza extrema.De acordo com Robert Opp, esse valor corresponde a uma em cada nove pessoas em todo o mundo.A
ONU já tinha divulgado, em setembro passado, um relatório publicado por
três das suas agências, onde indicou que, após uma diminuição constante
durante mais de dez anos, o número de pessoas a passar fome está a
aumentar e atingiu o valor de 815 milhões em 2016.No
total, cerca de 155 milhões de crianças menores de cinco anos registam
atrasos de crescimento devido à fome, segundo o relatório.O
Diretor de Inovação da PMA indicou ainda que o número de deslocados
devido a guerras e conflitos é o maior desde a II Guerra Mundial.“Sessenta
a 65 milhões de pessoas deslocaram-se das suas casas devido a conflitos
e quando são deslocadas perdem a sua vida e podem passar fome por não
conseguirem comida”, explicou o Diretor de Inovação do PAM.O
alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo
Grandi, já tinha dado conta destes valores num relatório anual divulgado
em junho passado por essa agência da ONU.O
número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas devido à guerra,
violência ou perseguição atingiu um valor recorde em 2016, com 65,6
milhões, um aumento face aos 65,3 milhões registados em 2015, de acordo
com o relatório.Robert
Opp clarificou ainda que, muitas vezes, “não é apenas uma questão de
quantidade [de comida] mas também da qualidade” dos produtos a que as
pessoas têm acesso, o que pode deixar sequelas para o resto da vida.A Web Summit decorre até quinta-feira, no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.Segundo
a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam
59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores,
duas mil 'startups', 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.A
cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010
na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com
possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.