O Pedro Câmara teve no Rally Terras d’Aboboreira uma estreia de
sonho: vitória no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) das 2 Rodas
Motrizes (2RM); vitória na Peugeot Rally Cup Ibérica; finalmente,
vitória na Peugeot Rally Cup Portugal. Para um rali de estreia a nível
nacional, três troféus na bagagem é um resultado excecional?Sim,
penso que foi realmente uma estreia de sonho. Foi muito bom, o fim de
semana foi bastante positivo. Nós evoluímos bastante desde o primeiro
dia.A verdade é que esse não era o principal objetivo, porque sendo a
minha estreia, sendo a minha primeira prova aqui no continente com o
Peugeot e com uma equipa nova, o objetivo era simplesmente chegar ao
fim. O importante nos campeonatos e nos troféus é arrecadar o máximo de
pontos possíveis e os troféus não se ganham no início, ganham-se no
final. O principal objetivo era evoluir, fazer quilómetros, mas desde o
início percebemos que mesmo com esse objetivo e, com alguma margem,
conseguíamos andar nos lugares cimeiros. Para o segundo dia foi tentar
gerir um pouco a vantagem que nós tínhamos e andar sempre no ritmo mais
elevado possível, porque o ritmo cá fora é bastante grande.A
pergunta pode soar estranha, atendendo a que venceste, mas quais foram
as grandes dificuldades que foste encontrando ao longo do rali?Teve
várias dificuldades. Como é tudo novo para mim, como foi a minha
primeira vez, uma das maiores dificuldades foi apanhar os pisos tão
degradados. A única prova que fiz este ano foi em São Jorge e não existe
qualquer comparação possível. Cá fora as coisas ficam bastante
degradadas, os pisos ficam completamente destruídos. Mesmo fisicamente
para nós é bastante difícil. Tem que haver uma gestão muito grande de
nós cá dentro em relação ao carro para não ter sustos, para não ter
nenhum problema mecânico e penso que ao longo do fim de semana fizemos
uma gestão quase perfeita do carro e estou bastante feliz por poder
fazer isso com tão pouca idade e tão pouca experiência. Deixa-me
bastante feliz e fico bastante contente.Esta é uma vitória que
ganha ainda maior relevância porque tanto os adversários nacionais como
também o forte contingente espanhol acabaram por valorizar ainda mais
este triunfo?Sim. Penso que também é bastante importante para os
Açores ter tido dois açorianos a vencer nas duas respetivas principais
categorias, digamos assim. Penso que é bastante bom mostrar o valor dos
Açores e mostrar que com as oportunidades certas e com as ajudas e os
patrocínios certos nós conseguimos chegar lá e temos talento para isso e
penso que a vontade de trabalhar e a fome de vencer não nos falta.
Basta surgirem as oportunidades certas que nós conseguimos marcar a
diferença.Depois deste triunfo, o que é que se segue agora no programa desportivo do Pedro Câmara que, aliás, é bastante diversificado?Sim,
esse ano temos um monte de corridas e temos vários campeonatos para
fazer. A próxima corrida é o II Rallye Ponta Delgada e logo a seguir
será o Rally de Lisboa. Há que estar bastante focado, há que saber
festejar quando é para festejar, mas já temos que estar focados na
próxima porque é bastante importante fazer um bom resultado em todas as
provas e ser um piloto consistente e levar sempre o barco até o fim com
os patrocinadores todos, a quem tenho a agradecer porque se não fossem
os patrocinadores, se não fosse a minha equipa, a The Racing Factory e
os meus pais, provavelmente não estaria aqui hoje.Se não estou em erro, o II Rallye Ponta Delgada será a estreia do Pedro Câmara a correr em casa, ou seja, em São Miguel?Sim.
Nunca corri em São Miguel. Tenho estreado em todas as zonas, em todos
os ralis onde vou é o meu primeiro rali. Como coincidência, no último
fim de semana [17 e 18 de abril] fez um ano que corri pela primeira vez
nos ralis, na ilha de São Jorge com o Renault 5, exatamente no mesmo fim
de semana da minha primeira vitória no CPR! Este é um facto bastante
engraçado e com certeza não vou esquecer. Estou literalmente a viver um
sonho num espaço tão curto de tempo, em cerca de um ano, poder ter
evoluído da maneira que evoluí: integrar a FPAK Júnior Team, ser campeão
da FPAK Júnior Team, começar a correr com um Rally 4 e com uma equipa
como a da The Racing Factory e ganhar a minha primeira prova de CPR é
algo que me deixa bastante contente. Estou literalmente a viver um
sonho.No II Rallye Ponta Delgada o objetivo passa por vencer as 2RM?Nesse
momento o meu objetivo não são as vitórias. Nas provas em que participo
o meu objetivo, e já o referi várias vezes, é terminar todas as
corridas. Preciso desses quilómetros para me sentir à vontade com o
carro, para me sentir à vontade com tudo aquilo que se vai passar. Tenho
pouca experiência nesse mundo das corridas, mas como é óbvio, penso que
os resultados são algo que virão naturalmente. Se virmos que
conseguimos atacar para poder levar a vitória, vamos fazer por isso, mas
não estamos obcecados com isso porque nesse momento temos que aprender,
evoluir e estar focados na minha técnica.Nos Açores o Pedro
Câmara está a correr com o Opel Corsa Rally4 e a nível nacional com o
Peugeot 208 Rally4. Quais são as principais diferenças entre as duas
viaturas?Os carros são muito similares e a maior diferença é a
estética porque, por dentro, eles são basicamente iguais. A única
diferença que notei é que a traseira do Opel é um pouco mais ágil e
parece-me um pouco mais leve. Mas no geral são muito similares, não há
grandes diferenças e isso é bastante bom porque o campeonato regional
serve-me de alimento para o nacional e como existem poucas diferenças
isso é bastante bom para a minha evolução porque estou sempre a fazer
quilómetros, sempre a fazer ralis e isso é mais importante para um
piloto se sentir à vontade e crescer.