FNE desafia Governo a “muito rapidamente” assumir disponibilidade para negociar
3 de jan. de 2023, 15:49
— Lusa/AO Online
Em conferência de imprensa, no Porto, a Federação Nacional de
Educação (FNE) avisou ainda que, numa “situação de rutura nas
negociações”, a greve é uma forma de luta em cima da mesa.As
negociações sobre a revisão do regime de concursos com o Ministério da
Educação (ME) começaram em outubro e a FNE exige que sejam realizados
concursos nacionais, que seja respeitada a lista nacional de graduação
profissional e que o processo assegure um número de vinculações aos
quadros das escolas que “efetivamente corresponda às necessidades
permanentes” das escolas, além de reclamar um “apoio efetivo” aos
professores deslocados.“É imperioso que o
ME muito rapidamente assuma a sua disponibilidade para retomar as
negociações sobre os concursos dos docentes, estão previstas para este
mês, não têm data calendarizada. É urgente que seja retomada, este
compasso de espera parece já suficiente”, afirmou o secretário-geral da
FNE, João Dias da Silva.Aquele responsável
defendeu que “tem de haver resposta concreta, urgente do ME, que tem
que se colocar como parceiro ativo, consequente, na mesa negocial sobre
matérias concretas, com respostas concretas o mais rapidamente
possível”.Para João Dias da Silva “é
imperioso que o ME reconheça que é preciso trabalhar com as organizações
sindicais relativamente àquilo que são matérias urgentes de valorização
da carreira e das condições de trabalho [dos docentes]”.O
secretário-geral da FNE salientou que o processo de negociação dos
concursos está em curso, “não está, sequer, próximo de uma conclusão”,
deixando um prazo para uma resposta por parte do Ministério de João
Costa: “É urgente, as próximas semanas serão muito importantes (…), nos
próximos dias, semanas, o ME tem de cumprir o seu compromisso de retomar
as negociações sobre o regime de concursos”.E
deixou ainda uma exigência: “Entendemos que neste mês de janeiro o
Ministério da Educação tem de assumir que a sua disponibilidade negocial
não se resume à matéria de concursos, mas que se alarga para outras
matérias que têm a ver com a valorização da carreira de docente e das
condições de trabalho dos educadores e professores portugueses”.Questionado
sobre as greves em curso, convocadas por outros sindicatos de
professores, João Dias da Silva afirmou que o recurso por parte da FNE
àquela forma de luta é usado com regras: “O recurso à greve por parte da
FNE ocorre quando os processos negociais entram em fase de rutura, não é
porque os outros fazem greve que devemos fazer greve. Estamos
envolvidos no processo negocial, quando tem situações de rutura,
recorremos à greve”, disse.Caso a FNE
recorra à convocação de uma greve, o responsável garantiu que será uma
greve “de todos, para fazer em unidade (…) não desta forma dispersa com
está a acontecer”.Ao ME, a FNE propõe,
entre outras medidas, a abertura de 14.277 vagas de quadro de
escola/agrupamento, a criação de 43 quadros de zona pedagógica, a
revisão dos índices remuneratórios de entrada e do topo da carreira, a
revisão do regime de reduções da componente letiva, a recuperação do
tempo de serviço congelado e a eliminação da precariedade.O
segundo período do ano letivo arrancou hoje com a realização de greves
de professores, que se prolongam durante todo o mês de janeiro.O
Sindicato de Todos os Professores (STOP) vai retomar a greve por tempo
indeterminado que decorre desde 09 de dezembro e levou ao encerramento
pontual de várias escolas nos últimos dias do primeiro período; a
Federação Nacional dos Professores (Fenprof), uma das principais
organizações sindicais do setor, também decidiu retomar as greves ao
sobretrabalho e às horas extraordinárias iniciadas em 24 de outubro e o
Sindicato Independente dos Professores e Educadores (SIPE) convocou uma
greve ao primeiro tempo de aulas de cada docente, o que significa que os
professores poderão estar em greve em diferentes momentos do dia.