FNE contra a contratação direta pelas escolas pela possibilidade de “amiguismos”
23 de set. de 2022, 08:35
— Lusa/AO Online
“Não
concordamos, claramente”, começou por dizer o vice-secretário-geral da
FNE, em declarações aos jornalistas no final da primeira reunião com o
Ministério da Educação sobre a revisão do modelo de recrutamento e
contratação de professores.Pedro Barracho
referia-se, em concreto, a uma das propostas apresentada pela tutela aos
sindicatos e que prevê dar autonomia aos diretores para que possam
selecionar um terço dos seus professores com base no perfil dos docentes
e nos projetos educativos no momento da contratação e da vinculação aos
quadros da escola.A medida foi criticada
de forma unânime pelas organizações sindicais e, da parte da FNE, Pedro
Barracho justificou a posição da federação antecipando que essa
possibilidade leve a situações de favorecimento na escolha dos
professores.“Sabemos o país em que
vivemos, sabemos as histórias que nos contam e sabemos aquilo que se
passa em cada uma das escolas do nosso país”, disse o dirigente
sindical, que utilizou a expressão “amiguismos” para classificar aquela
que entende ser uma provável consequência dessa alteração.Pedro
Barracho insinuou ainda que “se em questões relacionadas com a
avaliação de desempenho docente se verifica que há poderes que estão
dentro das escolas e que promovem esses ditos amiguismos”, o mesmo irá
suceder se as direções puderem selecionar parte do seu quadro docente.Por
outro lado, a FNE defende antes que se mantenha a contratação de
professores através de concursos nacionais e com base na sua graduação
profissional. “Defende e defenderá sempre”, acrescentou o
vice-secretário-geral.Este é, no entanto, o
único ponto sobre o qual a FNE manifestou a sua oposição, concordando
com outras propostas do Ministério da Educação, como a redução da
dimensão geográfica dos Quadros de Zona Pedagógica e o levantamento das
necessidades permanentes das escolas.O
Ministério da Educação pretende também, no novo modelo, a vinculação
mais rápida dos docentes, com preferência para os Quadros de Escola.Por
outro lado, e quanto à estabilização do corpo docente nas escolas,
Pedro Barracho recordou que as regiões onde mais faltam professores são
Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, enquanto uma parte significativa da
formação de docentes acontece no Norte.“Este
desequilíbrio entre as necessidades e a origem faz com que as pessoas
se vejam obrigadas a fazer grandes deslocações e não aceitem um conjunto
de horários porque o que vão ganhar não é suficiente para a despesa que
vão ter”, explicou, defendendo a necessidade de medidas que incentivem
os professores.