FNAM preocupada com vagas por preencher no internato médico e desistência preococe do SNS
27 de nov. de 2023, 11:05
— Lusa/AO Online
“É com muita preocupação mesmo que
se vê esta quantidade de vagas que sobram e sem dúvida que o Ministério
da Saúde na terça-feira também deveria ter isto em conta. Não é só o
facto de termos serviços de urgência encerrados de norte a sul do país,
vias verdes coronárias encerradas, que deixa a população para trás, é
mesmo o facto de 20% dos jovens médicos desistirem do SNS”, disse à Lusa
Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM.O
concurso para a formação de médicos especialistas terminou no sábado com
1.836 das 2.242 vagas preenchidas, anunciou hoje a Administração
Central do Sistema de Saúde (ACSS), assumindo preocupação com a
diminuição das escolhas em Medicina Interna.A
ACSS reconhece como “motivo de preocupação” a diminuição das escolhas
pela especialidade de Medicina Interna, onde foram ocupadas apenas 104
das 248 vagas a concurso, sendo que este número foi “só parcialmente
compensado pela admissão de 68 candidatos na especialidade de Medicina
Intensiva”.Sobre o total de vagas por
preencher, Joana Bordalo e Sá referiu que “21,2% dos candidatos optarem
por não escolher uma vaga no SNS significa que desistem, numa fase tão
precoce, do SNS”, sublinhando os números relativos a Lisboa e Vale do
Tejo, onde ficaram 168 vagas por preencher, o que “provavelmente também
reflete o elevado custo de vida nessa zona, sobretudo em Lisboa.A
presidente da FNAM olha com preocupação para o total de vagas sobrante
em Medicina Geral e Familiar, que foram médicos de família, uma das
grandes carências do país, mas também em Medicina Interna, que a ACSS
reconheceu em comunicado como “uma especialidade nuclear para o
funcionamento das unidades hospitalares”, motivo pela qual vai analisar a
quebra de interesse na especialidade.Joana
Bordalo e Sá frisou que a nível nacional 60% das vagas em Medicina
Interna ficaram por preencher, com 144 vagas vazias, considerando
“também preocupante que os dois grandes centros hospitalares de Lisboa -
Lisboa Central e Lisboa Norte – só tenham tido duas vagas de Medicina
Interna ocupadas”.“No fundo, tudo isto
demonstra a desesperança dos jovens médicos que acabam por não iniciar o
internato médico no SNS. Isto é fruto da degradação das condições de
trabalho também no SNS e é preciso dar nota que os médicos internos não
são meros estagiários, são médicos e como tal têm uma grande
responsabilidade nas suas mãos, a vida dos doentes nas suas mãos e
representam neste momento um terço da força de trabalho no SNS”, disse.A
presidente da FNAM referiu que, atualmente, os médicos internos “passam
a vida a tapar buracos”, substituindo especialistas nos serviços de
urgência, o que por sua vez contribui para o desinteresse no internato
médico no SNS, frisou.“Faltam médicos
especialistas, isto vai ter repercussões depois nos médicos internos,
porque os médicos internos são formados por especialistas”, disse.“A
FNAM sempre defendeu que o internato médico deve ser reintegrado na
carreira, exatamente porque os médicos internos são um terço da força de
trabalho no SNS e deve ser o primeiro patamar da carreira, para que os
jovens médicos possam estar protegidos e para que se consiga garantir
uma formação mesmo de qualidade”, acrescentou.Para
Joana Bordalo e Sá, que olha com preocupação para o número de jovens
médicos que vão optar por emigrar e fazer a especialidade no estrangeiro
e para os que vão preferir ser prestadores de serviços, a resposta é só
uma: “é preciso melhorar as condições de trabalho no SNS, não há outra
maneira”.Os sindicatos dos médicos e o
Governo voltam a reunir-se na terça-feira, véspera da votação final do
Orçamento do Estado para 2024, para tentar alcançar um acordo no âmbito
de negociações que decorrem há 19 meses.