FNAM pede esclarecimentos sobre acordo entre Governo e outra estrutura sindical
7 de jan. de 2025, 12:20
— Lusa/AO Online
Numa
carta aberta enviada à ministra da Saúde, a FNAM
considera que o Ministério da Saúde, no esclarecimento divulgado no
início do ano, continua a “confundir o conceito de revisão salarial com
valorização/progressão remuneratória”, pedindo que o Governo apresente
“por categorias e por escalões ou níveis da TRU [Tabela Remuneratória
Única]” quais as alterações em 2025, 2026 e 2027, separadamente.Quando
anunciou o acordo, no final de 2024, o SIM disse que estava previsto um
aumento salarial médio de 10% até 2027. No início deste ano, num
esclarecimento, o Ministério da Saúde explicou que "a proposta do
Governo assegura a revisão da tabela remuneratória e a valorização” para
“os médicos de todos os regimes de trabalho".A FNAM pede que o Ministério da Saúde separe o que são efetivamente
aumentos retributivos das valorizações remuneratórias, por alteração do
posicionamento na TRU, considerando que, na sua interpretação, o único
aumento retributivo “decorre do aumento anual para a função pública, que
será aplicável também aos médicos com contrato individual de trabalho”.Lembra
que o esclarecimento feito pelo Ministério da Saúde distingue médicos
com contrato de trabalho em funções públicas de médicos com contrato
individual de trabalho e insiste que o Acordo Coletivo da Carreira
Especial (ACCE) se aplica “a todos os trabalhadores médicos em funções
públicas, sindicalizados ou não e a todos os sindicalizados, salvo por
oposição expressas destes últimos”.“Consequentemente
e relativamente ao ACCE dos médicos em funções públicas não houve
qualquer acordo por parte de outra estrutura sindical que a FNAM conheça
ou tenha sido objeto de publicitação”, considera.Na
carta, a FNAM pede ainda ao Governo que clarifique a que “nova grelha
salarial” se refere e quais as “regras de valorização remuneratória
acordadas” com a outra estrutura sindical.Diz
igualmente que, no que toca ao “reconhecimento imediato do estatuto
remuneratório de especialista após a conclusão do internato”, o MS
apenas está a cumprir a obrigação, acompanhando as orientações dos
tribunais em ações judiciais intentadas anteriormente pelos sindicatos.Contudo,
sublinha que o Governo continua sem considerar a reintegração do
internato médico na carreira, devendo ainda garantir “concursos céleres
com regras equitativas para todas as áreas profissionais”, assim como
“abrir todas as vagas necessárias para a contratação de médicos
especialistas”.A FNAM aproveita ainda para
questionar qual a razão de não ter aberto todas as vagas indicadas
pelas diferentes Unidades Locais de Saúde nas áreas de medicina geral e
familiar, hospitalar e de saúde pública.Questiona
igualmente quais os critérios que presidiram à fixação de apenas 350
vagas anuais para Assistente Graduado Sénior, considerando tal número
”insignificante, quer para o SNS, quer para os milhares de assistentes
graduados que seriam elegíveis a progredir na carreira”.Quanto
ao regresso das 12 horas normais em Serviço de Urgência (SU), ao invés
das atuais 18, diz que esta é uma revindicação da FNAM “de longa data” e
pede ao Ministério que esclareça quais as implicações para a sua
aplicação e qual o plano traçado para “a organização em rede do serviço
de urgência” que acompanha esta transição faseada dos médicos da área
hospitalar.Na nota divulgada, que
acompanha a carta aberta, a estrutura sindical lembra que o Governo
recusou negociar com a FNAM a revisão salarial ainda em 2024 e considera
as propostas de aumento de 10% faseado em três anos "não permitem aos
médicos recuperar a perda do poder de compra de 20% da última década,
nem contemplarem a inflação vindoura".