FNAM negoceia melhorias no acordo coletivo com ULS e admite avanço já em agosto
28 de jul. de 2025, 17:34
— Lusa/AO Online
A
FNAM realizou, no Porto, a primeira reunião negocial direta com as
Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde, representadas por
Carlos Martins, administrador da ULS Santa Maria, visando um Acordo
Coletivo de Trabalho (ACT) que valorize a carreira médica, “sem ceder
direitos e para defender o Serviço Nacional de Saúde”.“Foi
uma reunião negocial direta que aconteceu por imposição da FNAM, após
termos feito cumprir as regras da negociação coletiva, depois de o
Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, ter recusado, de
forma injustificada, negociar com a estrutura sindical que mais médicos
representa no SNS”, disse à agência Lusa a presidente da FNAM no final
da reunião.Joana Bordalo e Sá salientou
que é com as EPE que a FNAM tem de negociar o ACT, que deve valorizar a
carreira médica e assegurar a sua progressão e melhorar as condições de
trabalho, sem colocar em risco direitos já conquistados. “Houve
uma boa abertura para iniciarmos, de facto, esta negociação e
admitiu-se a possibilidade de assinar já em agosto um acordo
transitório, que pode incluir medidas importantes, como o tempo parcial a
36 horas, a redução exata de uma hora na jornada contínua, a aplicação
dos descansos compensatórios por trabalho em dia feriado para todos os
médicos e a aproximação de direitos entre médicos com contrato
individual trabalho (CIT) e contratos de trabalho em funções públicas”,
revelouA líder da FNAM ressalvou que o acordo coletivo de trabalho que existe se mantém em vigor e continua a proteger os médicos.A
FNAM levou à mesa negocial a reposição da jornada das 35 horas para
todos os médicos, sem perda de vencimento, e das 12 horas de urgência
semanal, “sem ceder no limite anual das horas extraordinárias”, matérias
que as unidades de gestão empresarial registaram como matérias a
melhorar no ACT, disse.A integração do
internato médico na carreira, o apoio à formação, o gozo dos descansos
compensatórios após trabalho ao domingo, ao feriado, “sem obstáculos no
seu usufruto e sem caducidade”, a reposição dos dias de férias perdidos
nos últimos anos e melhorias das medidas da parentalidade, foram outras
medidas registadas pelas EPE.Joana Bordalo
e Sá frisou que a FNAM assumiu esta negociação “com firmeza, com
transparência e “seriedade”: “Continuamos a ser a voz dos médicos. Não
abdicamos, de todo, da nossa dignidade, dos nossos direitos, da
valorização plena da carreira médica no SNS (…) e é com esta força que
vamos negociar e melhorar o acordo coletivo de trabalho”.Realçou
que este acordo tem como objetivo evitar que mais médicos abandonem o
SNS: “O que hoje estamos a assistir - e Luís Montenegro
[primeiro-ministro] nada tem feito para reverter a situação - deve-se
exatamente à falta de médicos e ele é responsável por isso”, criticou.“Estamos
a caminhar para 1,7 milhões de utentes sem médico de família.
Continuamos com os serviços de urgência encerrados nas maternidades”, 42
bebés nasceram e ambulâncias, além dos tempos de espera nas urgências,
elucidou.“O SNS tem de dar uma resposta e
isso só se faz com médicos”, avisou, com a expectativa de esta situação
se resolver de “uma vez por todas” em futuras reuniões com as EPE e com o
Governo, previstas para a terceira semana de agosto e segunda quinzena
de setembro, respetivamente.“Foi
manifestada esta abertura da outra parte e, por isso, entendemos que é o
caminho que tem de ser feito”, rematou a sindicalista.