FNAM admite greve dos médicos se revisão de carreiras não for incluída nas negociações
18 de jul. de 2022, 09:55
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) explica que o seu
Conselho Nacional esteve reunido no sábado para analisar o protocolo
apresentado pelo Governo na reunião da semana passada, tendo decidido
endurecer as formas de luta.“O Governo
pretende negociar apenas medidas isoladas, como a criação de regimes de
dedicação ‘plena’ (cujos pormenores são ainda desconhecidos) e de
trabalho em serviço de urgência, que não têm tradução concreta numa
melhoria real das condições de trabalho, nem numa remuneração justa e
digna”, refere a FNAM. A estrutura
sindical considera que a inclusão da revisão das carreiras médicas e da
sua tabela salarial é “imprescindível para a atração e manutenção dos
médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.Lembra
igualmente que estão contempladas uma série de “medidas gravosas” na
Lei de Orçamento de Estado (LOE) de 2022, considerando que só contribuem
para a “progressiva precarização da profissão médica e para a
degradação dos cuidados prestados aos utentes do SNS”.Como
exemplo, aponta a contratação de médicos sem formação específica para
colmatar a falta de especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF),
assim como a nova forma de pagamento de trabalho suplementar em serviço
de urgência, que considera “inconstitucional”.Esta
forma de pagamento de trabalho suplementar em serviço de urgência,
sublinha, deixa de fora o trabalho em serviços equiparados e ultrapassa
as 150 horas anuais previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT).“Adicionalmente,
foi anunciada a atribuição de prémios anuais aos gestores hospitalares e
aprovado o novo Estatuto do SNS, cujo conteúdo e regulamento também são
desconhecidos”, recorda.A estas
situações, a FNAM acrescenta “a abertura de concursos, para médicos,
presididos por técnicos que não são médicos, em clara violação dos
princípios enformadores (interpares) da carreira médica e de todos os
normativos legais em vigor”.A FNAM exige
igualmente a revogação do artigo da Lei do Orçamento do Estado referente
a remuneração do trabalho suplementar dos médicos nos serviços de
urgência hospitalar externa, que ultrapasse as 250 horas anuais, assim
como a anulação do aviso n.º 14124/2022 para o concurso de médicos para
anestesiologia (categorias de assistente, assistente graduado e
assistente graduado sénior).Em comunicado,
a estrutura sindica diz que o Conselho Nacional mandatou a sua Comissão
Executiva para declarar greve dos médicos caso estes requisitos não
sejam “satisfatoriamente contemplados” na próxima reunião com as
estruturas ministeriais.