FMI recomenda reforma para evitar acumulação de dívida pública na UE
5 de set. de 2022, 14:51
— Lusa/AO Online
"As regras existentes tiveram
algum êxito, especialmente na sensibilização do público de que os
défices fiscais devem ser inferiores a 3% do PIB [produto interno
bruto], mas não impediram uma acumulação indesejável de dívida pública e
de riscos de sustentabilidade fiscal em alguns membros", sublinhou, num
relatório. A instituição económica, com
sede em Washington, considerou que, como se viu na crise da dívida
soberana europeia, tais riscos ameaçaram a estabilidade da união
monetária no passado e continuam a criar vulnerabilidades, apesar dos
esforços para reforçar a supervisão central.O
FMI propôs, assim, a ligação das regras fiscais ao nível de risco.
Enquanto o limite de 60% do PIB para a dívida e o limite de 3% do PIB
para os défices permanecem como pontos de referência, "a velocidade e a
ambição dos ajustamentos estaria ligada ao grau de riscos fiscais",
indicou no mesmo documento.Assim, os
países com riscos fiscais mais elevados devem avançar para um saldo
positivo nos próximos três a cinco anos, enquanto os países com riscos
mais baixos e dívida inferior a 60% podem gozar de maior flexibilidade.
O FMI salientou também a necessidade de
reforçar as instituições fiscais de cada país-membro, com quadros de
médio prazo e limites de despesa plurianuais e um papel mais importante
dos conselhos fiscais independentes na aprovação de projeções
macroeconómicas ou na avaliação de riscos financeiros.O
terceiro pilar desta proposta é uma capacidade fiscal "bem concebida"
para alcançar dois objetivos chave: melhorar a estabilização
macroeconómica e permitir o fornecimento de bens públicos comuns a nível
da UE, em matérias como as alterações climáticas ou a segurança
energética.O FMI disse acreditar que estas
recomendações devem ser vistas como "um pacote de elementos
interligados para promover uma reforma eficaz" e admitiu ser necessário
um esforço mútuo entre as regras da UE e a implementação a nível de cada
Estado-membro.Para a instituição, "a
incerteza económica extraordinária e os desafios fiscais iminentes"
significam que a reforma desejada não pode esperar.A
extensão até 2023 da cláusula geral que facilita a realização de
despesas públicas sem exposição a penalizações, proporciona uma janela
de oportunidade, disse."Mais atrasos
forçariam os países a voltar às velhas regras com todos os seus
problemas. A oportunidade não deve ser desperdiçada", concluiu o FMI,
que considerou urgente a realização das modificações indicadas.