FMI quer despesa criteriosa e alerta para insegurança alimentar em 12% de África
16 de set. de 2022, 10:33
— Lusa/AO Online
"Abordar
a falta de resiliência às alterações climáticas e a consequente
insegurança alimentar crónica exigirá uma cuidadosa priorização das
políticas, dadas as limitações financeiras e de capacidade", diz o Fundo
num novo relatório, no qual afirma que pelo menos 123 milhões de
pessoas, ou cerca de 12% da população da região, "podem ficar
extremamente inseguras do ponto de vista alimentar, severamente
subnutridas ou incapazes de satisfazer as suas necessidades alimentares
básicas".O aquecimento global está a
contribuir para um aumento do número de pessoas em situação de fome, com
a África Oriental a passar por uma das piores secas da sua história,
que surge no seguimento das consequências da pandemia de covid-19 e do
impacto da guerra na Ucrânia, que originou um pico no preço dos cereais
alimentares, diz o Fundo no texto citado pela agência France-Presse.O
impacto na economia da pandemia de covid-19 combinou-se com um pico nos
preços dos cereais alimentado pela guerra na Ucrânia, salienta também o
FMI.Apesar dos muitos desafios, algumas
reformas comerciais, regulamentares e de liberalização do mercado são
viáveis, refere o FMI, alertando contra a tentação de ajudar intervindo
na produção agrícola e na distribuição alimentar."Intervenções
sem um foco concreto podem ser ineficientes e pesar nos orçamentos
nacionais, aumentar o preço dos alimentos, impedir a concorrência e
reduzir os rendimentos das colheitas", lê-se no texto divulgado em
Washington, que aponta que "o controlo dos preços e processos
regulamentares demorados contribuam para quebras na disponibilidade dos
alimentos ao desincentivarem a produção, armazenamento e no comércio de
alimentos".Pelo contrário, o FMI recomenda
"o envolvimento governamental localizado, como o apoio na pesquisa e
desenvolvimento da construção de resiliência e produtividade agrícolas".