Flores com "graves constrangimentos" face a problemas no abastecimento marítimo
22 de fev. de 2023, 12:10
— Lusa/AO Online
"A economia
está a agonizar. A ilha não funciona só com os bens de primeira
necessidade", afirmou o presidente da Câmara Municipal das Lajes das
Flores, Luís Maciel (PS), em declarações à agência Lusa.Segundo
o autarca, estava previsto um abastecimento para quinta-feira, com o
navio 'Ponta do Sol', mas devido às condições do mar esta escala "já foi
cancelada"."Este navio faz o
abastecimento quinzenal. E já na semana passada foi cancelada esta
viagem. A última vez que a ilha foi abastecida foi no último sábado, com
o navio Thor, que trouxe só bens perecíveis", indicou Luís Maciel.O
presidente da Câmara das Lajes das Flores sustentou que "os
abastecimentos residuais" têm permitido apenas trazer "alguma carga
perecível", pelo que "o problema está a agravar-se"."Não
falta pão e leite, mas faltam outros bens. Vamos ao supermercado e já
notamos falta de produtos nas prateleiras", assinalou à Lusa o autarca.Em
"situação insustentável" está a economia da ilha, relatam ainda os
autarcas, acrescentando que os empresários já têm manifestado a sua
preocupação, nomeadamente nos setores da construção civil e agricultura."A
economia da ilha não funciona só com a chegada destes bens e há um
conjunto de empresas que, para funcionarem e poderem pagar os seus
funcionários, precisam de ter faturação, precisam de ter trabalho, e
desde o mês de dezembro que o abastecimento tem sido muito precário. É
com muita dificuldade que a grande maioria das empresas consegue
laborar", sustentou Luís Maciel.Também o
presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores apontou para os
"imensos prejuízos e constrangimentos" que os empresários estão a
sentir, devido à instabilidade no normal abastecimento marítimo."Os
empresário não poderão aguentar muito mais tempo. Em termos de bens
essenciais tem havido algumas roturas, mas têm sido repostas e a
situação tem-se mantido mais ou menos equilibrada", explicou José Carlos
Mendes (PS) à agência Lusa.O autarca de
Santa Cruz das Flores salientou que "tem sido possível abastecer" a ilha
de "bens perecíveis", mas "há um conjunto muito grande de materiais e
equipamentos que não chegam".Tal coloca
"em causa" o funcionamento de "muitos setores de atividade" e de
"empresas", porque "não conseguem funcionar sem receber os seus
materiais e as suas matérias primas".Os
autarcas depositam esperanças na chegada do navio 'Margarethe', que o
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) vai fretar para operar, a partir de
março, para assegurar o transporte de mercadorias para a ilha das
Flores."O problema da ilha das Flores é
uma questão de rapidez nas obras que têm de ser feitas, nomeadamente o
reforço do antigo molhe que vai proteger a ponte cais. E tem de haver um
barco que consiga fazer o abastecimento da ilha em condições", vincou o
autarca de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes.