Fitch sobe 'rating' de Portugal para "BBB+" com perspetiva estável
29 de out. de 2022, 02:27
— Lusa /AO Online
“A Fitch Ratings subiu o ‘rating’ de longo prazo de Portugal de ‘BBB’ para ‘BBB+’. O ‘outlook’ é estável”, indicou, em comunicado, a agência de notação financeira.Esta é a terceira melhoria do ‘rating’ da República portuguesa, depois de a DBRS e de a Standard & Poor’s também já se terem pronunciado no mesmo sentido.A Fitch justificou esta decisão com o facto de Portugal ter uma “política orçamental prudente, apesar dos choques externos significativos”.Por outro lado, assinalou que o défice orçamental deverá cumprir a meta do Governo de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, face aos 2,8% de 2021 e aos 5,8% de 2020.Apesar de sublinhar que os resultados orçamentais apontam para um melhor desempenho, perspetivou um retrocesso no segundo semestre.A Fitch estima ainda que o rácio da dívida de Portugal diminuía em 10,5 pontos percentuais no corrente ano.“Um histórico de disciplina orçamental do atual partido no Governo apoia a base da Fitch para o declínio contínuo da dívida”, assinalou, prevendo superávites fiscais primários de 0,2% do PIB este ano e de 1,5% em 2023.Assim, notou que, “apesar dos ventos contrários provocados pela alta inflação e de um fraco ambiente externo", é esperado que a política orçamental permaneça alinhada com as metas do Governo relativas à dívida.A melhoria hoje anunciada reflete também os indicadores de governação e o PIB ‘per capita’ de Portugal, acima da média dos seus pares.A agência de notação financeira espera ainda que o PIB de Portugal cresça 6,4% este ano, face aos 5,5% de 2021, impulsionado por uma “recuperação robusta do setor do turismo”.Soma-se a queda da taxa de desemprego e consequente aumento do número de pessoas a trabalhar, acima dos níveis pré-pandemia de covid-19.Porém, “com a crise energética europeia, alta inflação e uma política monetária mais apertada, esperamos uma desaceleração da economia a partir do segundo semestre”.Estima-se assim uma quebra no poder de compra das famílias e que a atividade do setor privado esteja moderada.Para 2023, a Fitch antecipa uma desaceleração no crescimento do PIB para 1%, seguida de uma recuperação para 2,2% em 2024.No documento hoje divulgado, a agência alertou também para o facto de Portugal continuar exposto aos preços globais das ‘commodities’, apesar da “limitada exposição direta ao choque da oferta de energia na Europa”.A Fitch disse também que um aumento repentino e significativo das taxas de juro pode afetar as famílias, nomeadamente, devido ao crédito à habitação, apesar de existirem alguns fatores atenuantes.A próxima, e última, agência prevista olhar para o ‘rating’ de Portugal é a Moody's, em 18 de novembro.O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.Os calendários das agências de ‘rating’ são, no entanto, meramente indicativos, podendo estas optar por não se pronunciarem nas datas previstas ou avançarem com uma avaliação não calendarizada.