Fiscalização das secretas sem alusões ao “caso Galamba” no balanço de 2023
6 de jun. de 2024, 17:58
— Lusa/AO Online
A
audição dos membros do CFSIRP, Constança Urbano de Sousa, Joaquim da
Ponte e Mário Belo Morgado, com os deputados das comissões de Assuntos
Constitucionais e de Defesa Nacional, de acordo com fontes
parlamentares, durou pouco mais de hora e meia e decorreu sem qualquer
controvérsia.Na reunião, a antiga ministra
socialista Constança Urbano de Sousa procurou transmitir uma ideia de
normalidade no funcionamento do Serviço de Informações e Segurança (SIS)
e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).Tal
como no relatório, durante a reunião, também não foi abordado o caso
mais mediático do ano passado, que envolveu a intervenção do SIS na
recuperação de um computador levado do gabinete do então ministro das
Infraestruturas João Galamba. Um caso ocorrido em abril de 2023 e que
levou então o PSD e Chega a pedirem a demissão da secretária-geral do
SIRP, Graça Mira Gomes, e do próprio CFSIRP.Neste
caso, o CFSIRP concluiu que o SIS não usou meios que lhe estivessem
vedados na recuperação do computador levado do Ministério das
Infraestruturas pelo ex-assessor Frederico Pinheiro, após ter sido
demitido por João Galamba.Também de acordo
com o CFSIRP, numa alusão ao computador levado do Ministério das
Infraestruturas, “o comprometimento de informação classificada é
suscetível de lesar os interesses do Estado Português, risco que o SIS
cumpre avaliar e prevenir”.Na reunião de
hoje, segundo fontes parlamentares, os deputados levantaram questões
sobre a possibilidade de o CFSIRP ter uma “atitude mais pró-ativa” ao
nível da fiscalização dos serviços, designadamente fazendo visitas sem
pré-aviso, e sobre a “mobilidade” verificada na direção do SIED.Em
setembro passado, foi empossado diretor do SIED o diplomata João Pedro
Marinho da Costa, substituindo nessas funções Carlos Lopes Pires, que
passou nessa altura a integrar o Governo de António Costa como
secretário de Estado da Defesa.Os membros
do CFSIRP foram também confrontados com dúvidas sobre a efetiva
capacidade de fiscalização das atividades do Centro de Informações e
Segurança Militares (CISMIL).