Finlândia torna-se o quarto país europeu a reenviar migrantes para Itália
Migrações
Hoje 16:17
— Lusa/AO Online
Este pacto determina que os requerentes de asilo devem ser processados no país de entrada.Antes
da Finlândia, já outros três países haviam decidido recentemente
reenviar migrantes para Itália, designadamente Alemanha, Áustria e
Suíça, sendo que o país helvético não é Estado-membro da UE, mas aderiu
ao Pacto acordado entre os 27 e que entrou em vigor em junho passado. “Acreditamos
que a entrada em vigor do regulamento da UE sobre a gestão do asilo e
da migração permite o reinício das transferências para Itália. Estas
transferências estão atualmente a ser preparadas”, afirmou o gabinete de
imprensa do Ministério do Interior finlandês à agência de notícias
italiana ANSA.O governo de Helsínquia
sublinhou que “é crucial para a Finlândia que as regras relativas à
responsabilidade pela análise dos pedidos de asilo sejam aplicadas
conforme previsto e que todos os Estados-Membros da UE cumpram as
obrigações ao abrigo do Pacto”.“Pela nossa
parte, continuamos empenhados em garantir a aplicação efetiva dos
procedimentos de responsabilização. Temos vindo a manter a nossa
cooperação e diálogo com a Itália ao longo dos anos”, completou o
comunicado enviado pelo Ministério do Interior finlandês à ANSA.O
Governo de direita e extrema-direita liderado por Giorgia Meloni tem
como uma das grandes ‘bandeiras’ o combate à imigração ilegal e, quando
assumiu funções, interrompeu unilateralmente o acolhimento de migrantes
secundários provenientes de outros países.Com
a entrada em vigor do novo Pacto sobre Migração e Asilo, Roma corre
agora o risco de ver serem reenviados para o seu território milhares de
migrantes que conseguiram entrar no espaço comunitário através de
Itália.A crescente lista de países a
anunciar que vão reenviar migrantes para Itália já mereceu críticas da
oposição de centro-esquerda italiana, que fala num previsível efeito
“boomerang”."A receita do governo está a
revelar-se um ‘boomerang’ para o nosso país, como era evidente para
todos, exceto para o Palazzo Chigi [sede do Governo], que optou pelo
caminho da propaganda em vez do da solidariedade e da partilha entre
países europeus", comentou o líder do partido +Europa, Riccardo Magi.