Finlândia e Suécia com estatuto de “convidados” até conclusão da ratificação
NATO
5 de jul. de 2022, 12:19
— Lusa/AO Online
“Este é um dia histórico para
a Finlândia, para a Suécia, para a NATO e para a segurança
euro-atlântica”, declarou o secretário-geral da organização, Jens
Stoltenberg, numa conferência de imprensa em Bruxelas com os chefes de
diplomacia da Finlândia, Pekka Haavisto, e da Suécia, Anne Linde, que
assistiram à cerimónia de assinatura dos protocolos, no quartel-general
da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Stoltenberg
explicou que até à conclusão dos processos de ratificação pelos 30
atuais países membros da NATO, Finlândia e Suécia terão o estatuto de
“convidados”, o que lhes permite participar desde já nas reuniões da
organização e ter acesso a informação privilegiada.Escusando-se
a apontar uma data para a conclusão da ratificação da adesão dos dois
países, dado ter de passar por 30 parlamentos nacionais e os
procedimentos serem diferentes, o secretário-geral apontou que muitos
Aliados já anunciaram que o processo será célere, mas demorará
certamente “meses”, recordando que em média este processo leva até um
ano.Contudo, Stoltenberg salientou que
todos os Aliados têm noção da “importância de uma ratificação célere” e
destacou que este é, desde já, “o processo de adesão mais rápido da
história da NATO”, pois os protocolos foram assinados apenas sete
semanas depois da apresentação das candidaturas de Helsínquia e
Estocolmo.Considerando também a cerimónia
de hoje “um momento histórico”, os ministros dos Negócios Estrangeiros
de Finlândia e Suécia fizeram igualmente votos para que os processos de
ratificação sejam rápidos.Questionados
sobre se receiam problemas com a ratificação pelo parlamento turco,
Haavisto e Linde manifestaram-se convictos de que o memorando de
entendimento celebrado com a Turquia por ocasião da cimeira de Madrid dá
a Ancara todas as garantias, e reiteraram o firme compromisso de
“honrar esse memorando e dar-lhe seguimento”.A
assinatura dos protocolos de adesão pelos embaixadores junto da NATO
dos 30 atuais países membros decorreu hoje de manhã depois de, na
segunda-feira, Finlândia e Suécia terem concluído as negociações para se
tornarem membros da organização, uma mera formalidade após Ancara ter
levantado o veto à entrada de Helsínquia e de Estocolmo na Aliança,
durante a Cimeira de Madrid, na semana passada.Os
processos de ratificação dos protocolos de adesão variam de um país
para outro: enquanto os Estados Unidos precisam da aprovação de dois
terços do Senado, no Reino Unido não é necessária uma votação formal no
Parlamento.O princípio da defesa coletiva
da NATO, segundo o qual um ataque contra um aliado equivale a um ataque
contra todos, só se aplicará à Finlândia e à Suécia quando estes se
tornarem membros de pleno direito, após a conclusão de todo o processo
de adesão.A guerra na Ucrânia levou a
Finlândia e a Suécia, países de tradição neutral, a solicitar a entrada
na NATO, processo que se revelou mais complexo do que o esperado, depois
de a Turquia ter bloqueado o acesso dos dois estados, considerando-os
negligentes no tratamento de organizações que Ancara descreve como
terroristas.No entanto, Ancara, Estocolmo e Helsínquia chegaram a um acordo na Cimeira de Madrid, para que a Turquia levantasse o seu veto.