Financiamento do ensino superior deve acompanhar aumento de colocados
Hoje 17:30
— Lusa/AO Online
“Mais
estudantes a ingressarem no ensino superior significa mais turmas, mais
aulas teóricas, práticas e laboratoriais, mais acompanhamento e maiores
necessidades de docência e de outros recursos”, alertou a federação
sindical, em reação aos resultados da 1.ª fase do Concurso Nacional de
Acesso ao Ensino Superior (CNAES), divulgados no fim de semana. Perto
de 50 mil estudantes conseguiram colocação numa instituição de ensino
superior pública, mais 6.092 do que no ano passado, ocupando 88,9% das
vagas.Considerando tratar-se de uma “boa
notícia que confirma que Portugal pode e deve continuar a elevar as
qualificações da sua população”, a Federação Nacional dos Professores
(Fenprof) defendeu, por outro lado, que o Governo deve olhar para este
aumento com sentido de responsabilidade.“Estas
exigências acrescidas encontram um sistema há muito confrontado com
subfinanciamento crónico”, afirma a federação sindical em comunicado,
insistindo que a tutela não pode “deixar às universidades e politécnicos
a responsabilidade de descobrir, em orçamentos insuficientes, as verbas
necessárias para os receber”.Antecipando a
discussão do Orçamento do Estado para 2027, os representantes dos
professores defendem um reforço do financiamento público do ensino
superior que reflita o aumento dos custos e das necessidades das
instituições, garantindo igualmente a valorização de docentes e
investigadores.A propósito dos resultados
da 1.ª fase do CNAES, a Fenprof recorda que o acesso ao ensino superior
foi, este ano, marcado por problemas nos exames nacionais do ensino
secundário e manifesta-se preocupada com o reduzido número de vagas
sobrantes para a 2.ª fase do concurso.Sublinhando
que nenhum estudante deve ser prejudicado, a federação pede uma
“avaliação completa do processo de acesso de 2026 (…) e o apuramento de
responsabilidades pelo que correu mal”.Por
outro lado, destaca ainda o número de estudantes carenciados que
garantiu um lugar numa instituição de ensino superior, e que representam
apenas 3% do total de colocados, defendendo políticas públicas “que
promovam o acesso, combatam o abandono e garantam condições para a
permanência e prossecução de estudos”.As
colocações na 1.ª fase do CNAES foram divulgadas na página do IES,
disponível em www.dges.gov.pt, e os estudantes colocados têm até 27 de
agosto para realizar a matrícula.As
candidaturas à 2.ª fase do concurso decorrem entre 24 de agosto e 20 de
setembro, com pelo menos 6.639 vagas que ficaram por ocupar.