Fim de Saramago como leitura obrigatória no 12.º ano ainda não está decidido
Hoje 14:53
— Lusa/AO Online
Uma
versão preliminar revista das aprendizagens essenciais (AE) entrou em
consulta pública a 27 de março, num processo que vai durar um mês e que
pretende recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e
sociedade, segundo o Governo.Nesta
proposta de revisão, o escritor José Saramago, prémio Nobel da
Literatura, deixa de ser de leitura obrigatória no 12.º ano, podendo as
escolas optar por outros autores. Camilo Castelo Branco passa a ser de
leitura obrigatória neste nível de ensino.Em
declarações hoje aos jornalistas, o ministro da Educação desvalorizou a
polémica, salientando que a consulta pública às aprendizagens
essenciais aplica-se a todas as disciplinas, e não só ao português, e
que “é uma primeira fase, absolutamente técnica”.Fernando
Alexandre salientou que “José Saramago é, obviamente, um escritor de
referência” e admitiu que deve ser obrigatório ler este como outros
escritores nacionais, apontando que há “grandes escritores em Portugal”.Salvaguardou
que, por enquanto, a proposta que está em consulta pública “é
absolutamente técnica para já, não é nenhuma decisão” e que José
Saramago não seria retirado dos currículos, mas poderá antes ser uma
opção entre várias à escolha".Segundo o
ministro, no 12.º ano, as escolas poderão escolher “entre três obras,
duas de José Saramago e uma de Mário de Carvalho”.Questionado
sobre se essa opção poderá criar desigualdades entre as escolas,
Fernando Alexandre respondeu que “não são desigualdades, são opções, são
escritores de referência nacionais”, recusando avaliar se os dois
escritores são ou não comparáveis. De acordo com Fernando Alexandre, o resultado desta consulta pública entrará em vigor apenas no ano letivo de 2027/28.“A
seguir a esta revisão, teremos uma revisão ainda mais profunda, em que
vamos rever a matriz curricular e vamos, nomeadamente, ver o impacto das
novas evoluções tecnológicas, nomeadamente a inteligência artificial”,
apontou.Segundo um comunicado do Governo
divulgado no sábado, sobre o processo de consulta pública, o Executivo
entende que se trata de uma “etapa de aperfeiçoamento e validação”, que
“pretende recolher contributos da comunidade educativa, de especialistas
e da sociedade em geral, com o objetivo de reforçar a qualidade da
revisão curricular”.