Filipinas libertam perto de 10.000 detidos para impedir propagação

2 de mai. de 2020, 17:30 — AO/LUSA

"O tribunal está plenamente consciente da sobrelotação das nossas prisões", disse à imprensa o magistrado daquele tribunal, Mario Victor Leonen, anunciando a libertação de 9.731 detidos, que aguardam julgamento na prisão por não poderem pagar a fiança.O aparecimento da covid-19 foi relatado em algumas das prisões mais sobrelotadas do país, tanto entre os presos como entre os funcionários.O distanciamento social é quase impossível nos estabelecimentos prisionais filipinos, onde as celas às vezes recebem até cinco vezes mais detidos do que o esperado, devido à infraestrutura inadequada e a um sistema judicial lento e sobrecarregado de trabalho.A sobrelotação nas prisões piorou desde que o Presidente, Rodrigo Duterte, chegou ao poder em 2016 e endureceu a luta contra o tráfico de drogas que já provocou milhares de detenções.Os números mais elevados de casos foram registados em duas prisões na ilha de Cebu, no centro do arquipélago, que na sexta-feira registou um total de 348 infeções em mais de 8.000 detidos.Todos estes casos levaram grupos de direitos humanos a pedir a libertação antecipada de detidos acusados de crimes não violentos, bem como de prisioneiros doentes e idosos.As Filipinas anunciaram 9.000 casos de infetados com covid-19, incluindo 603 mortes, no território.