Filarmónicas dos Açores paradas e preocupadas com sobrevivência

Covid-19

16 de abr. de 2020, 10:46 — Lusa/AO Online

"As bandas, na realidade, estão paradas. Não há muito por onde trabalhar e nem é um trabalho que se possa fazer em regime de teletrabalho", afirmou em declarações à agência Lusa, o maestro Marco Torre, da Banda Fundação Brasileira (ilha de São Miguel) e músico da Banda Militar dos Açores.O arquipélago é a região do país com mais bandas filarmónicas, mantendo viva uma tradição que remonta ao século XIX e com uma função cultural e social relevante.Quase todas as freguesias têm uma banda e há freguesias pequenas que chegam até a ter duas.Com o cancelamento das festas religiosas de verão e dos Impérios do Espírito Santo, devido à pandemia, "as bandas enfrentam um grande problema a nível económico", referiu Marco Torre, lembrando que aqueles serviços começavam já a seguir à Páscoa."O verão é altura para ganhar algum dinheiro. Vai ser muito complicado sobreviver no inverno", lamentou o maestro. Marco Torre lembrou que as bandas têm uma série de compromissos financeiros - o pagamento de maestros, instalações e instrumentos."Vamos imaginar que a situação vai durar mais um mês, na melhor das hipóteses, e que daqui a um mês as bandas voltam a trabalhar. Mas as filarmónicas não têm serviços até final do ano e, apesar disso, têm de pagar um maestro para ensaiar. E como o vão fazer sem serviços para angariar fundos?", questionou. Apesar dos apoios atribuídos pelo Governo dos Açores às filarmónicas, Marco Torre disse que até neste aspeto há alguma incerteza: "Na região há um apoio direto do Governo dos Açores. E estes apoios contemplam sempre um projeto a apresentar. Mas o vírus apareceu no início do ano e, não conseguindo cumprir os objetivos propostos, já que foram canceladas várias festividades, será que vamos receber na mesma os subsídios previstos?".Ainda assim, segundo o maestro, algumas bandas açorianas estão a publicar trabalhos antigos ou a promover o lançamento de novos, através das redes sociais ou na plataforma Youtube, para manter "os músicos em forma"."Utilizamos às vezes as redes sociais para motivar e dar algum ânimo, promovendo algumas atividades em que se gravam hinos ou marchas. Mas, isso é sempre muito complexo para as filarmónicas, porque implica ter alguns instrumentos de multimédia", explicou o maestro, acrescentando não haver nos Açores "uma única banda em atividade neste momento a ensaiar". A região contava com uma Federação de Bandas dos Açores, agora inativa.