FIFA denuncia "esforço concertado e contínuo" para enfraquecer Infantino
Hoje 10:02
— Lusa/AO Online
"Informações
publicadas recentemente continham afirmações não fundamentadas e
alegações manifestamente falsas relativas à FIFA e ao seu presidente. As
especulações e as insinuações não devem ser apresentadas como factos e a
repetição de uma alegação não a torna verdadeira", indicou a
organização num comunicado, sem especificar a que alegações se refere.Segundo
um artigo do jornal britânico The Telegraph publicado na sexta-feira à
noite, o ítalo-suíço de 56 anos, que serviu como secretário-geral da
confederação europeia de futebol (UEFA) de 2009 a 2016, usou do seu
poder para assegurar a promoção de uma funcionária da instituição com a
qual mantinha uma relação íntima.Segundo o
Telegraph, que cita fontes não identificadas, esta funcionária, após
ter sido promovida durante algum tempo na UEFA, recebeu uma
"indemnização de seis dígitos" autorizada por Infantino aquando da sua
saída - num ano não especificado -, além do pagamento de propinas numa
escola de negócios num valor de cerca de 50.000 euros.Contactada
pela agência France-Presse, a UEFA admitiu que "um pagamento" tinha
sido efetuado nessa altura, "acompanhado pelo pagamento dos custos de um
MBA numa escola de negócios local". Contudo, "este pagamento estava em
conformidade com as regras então em vigor para o pessoal que deixava a
organização", sublinhou a UEFA.No seu
comunicado, a FIFA garante que "acolhe favoravelmente qualquer análise
crítica legítima". "Mas esta análise não pode autorizar a distorcer os
factos, a amplificar alegações não fundamentadas ou a criar
artificialmente elementos de distração destinados a travar os progressos
alcançados", referiu o comunicado.Gianni
Infantino, que se vai recandidatar à liderança da Fifa nas eleições de
março de 2027, está envolvido numa crise desde a divulgação, no final de
julho, do seu projeto controverso de abertura da FIFA a investidores
privados, que foi posteriormente abandonado.O
presidente é contestado pela UEFA, que manteve na quinta-feira a sua
ameaça de boicote aos Campeonatos do Mundo, considerando insuficiente a
simples retirada do projeto controverso.A Federação Norueguesa de Futebol, na linha de frente das
críticas há vários anos, pediu pela voz da sua presidente Lise Klaveness
a demissão de Gianni Infantino.No seu
comunicado de sábado, a FIFA afirma que "não apoiará, não facilitará nem
tolerará qualquer processo relativo à eleição do presidente da Fifa que
seja contrário aos seus estatutos, aos seus procedimentos democráticos
ou ao seu quadro de governação estabelecido."No
passado dia 28 de julho, o presidente da FIFA defendeu a criação da
FIFA Forward Enterprise (FFE), integralmente detida pelo organismo para
reunir os direitos comerciais, vendendo participações minoritárias a
investidores privados, que não vão ter papel operacional na subsidiária,
avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de
euros).A proposta foi recebida com
oposição geral e, no passado sábado, 1 de agosto, Infatino recuou e
admitiu que o projeto não serviria "o objetivo inicial".A
Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve alinhada com os restantes
membros da UEFA na oposição à proposta do presidente da FIFA para a
venda de participações dos Mundiais a privados, segundo uma carta a que a
Lusa teve acesso.