Ficaram em prisão preventiva os 4 detidos que transportavam 1,7 toneladas de cocaína no Atlântico
4 de nov. de 2025, 16:16
— AO Online/Lusa
Em conferência de imprensa, o coordenador da
Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia
Judiciária, Vítor Ananias, disse que entre os detidos estão dois
equatorianos, um venezuelano e um colombiano e que a investigação é que
vai determinar a “divisão hierárquica”.A
prisão preventiva foi declarada aos quatro suspeitos após terem sido
ouvidos no juízo de instrução criminal de Ponta Delgada, São Miguel, nos
Açores. “São nacionalidades
diferenciadas. Isto também é demonstrativo que as organizações não estão
somente sediadas num único país, mas são organizações com uma
mobilidade muito grande. Tinham idades acima dos 40 anos e inferiores a
65 anos”, observou. De acordo com o
responsável, os tripulantes a bordo do semissubmersível, proveniente da
Venezuela e com destino à Península Ibérica, já contavam com “alguma
experiência no meio marítimo e cuja função era precisamente trazer o
narcosubmarino até um ponto no meio do Oceano Atlântico e regressar”. “Vai-se
recolhendo diferentes peças de informação que vão ajudando a construir
um ‘puzzle’. Após esse ‘puzzle’ estar construído, nós ficamos mais ou
menos com uma ideia de qual é a ‘big picture’ da situação e a partir daí
começamos a adequar os meios nacionais para fazer as intervenções e as
interdições no mar”, salientou, recordando o quadro de cooperação
internacional de partilha de informação.Vítor
Ananias sublinhou que é um “processo dinâmico” e que as autoridades vão
“orientando os meios no sentido de fazer a intervenção com sucesso”,
indicando que vão “continuar a garantir” o seu esforço no combate às
organizações criminosas. O coordenador da
Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ
acrescentou que os detidos não apresentaram “algum tipo de resistência”
por terem estado 15 dia no mar, “completamente fechados num espaço
confinado, sem qualquer tipo de privacidade ou de regalias”.“Com
o calor, com os fumos da embarcação, com a elevada ondulação, com
condições meteorológicas difíceis, um dia é difícil, ao fim de 15 ou 20
dias, é estar completamente a desejar sair dali”, sustentou.Também
na conferência de imprensa, o porta-voz da Marinha Portuguesa e da
Autoridade Marítima Nacional, comandante Ricardo Sá Granja, disse que a
apreensão ocorreu a mais de 1.852 quilómetros (Km) de Lisboa.“A
Marinha, através de um vasto conjunto de meios da componente
operacional do sistema de forças, nomeadamente a capacidade de comando e
controlo de fiscalização e de projeção de força, empenhou cerca de 70
militares nesta operação, durante mais de 138 horas, cerca de seis dias,
e também com mais de 1.527 milhas náuticas navegadas durante esta
operação, mais de 2.800 Km navegados”, vincou.O
comandante disse que devido à fragilidade da construção do
narcosubmarino “não foi possível concretizar” o reboque até terra e
“acabou por afundar”.O chefe do Centro de
Operações Aéreas do Comando Aéreo da Força Aérea Portuguesa, coronel
Agostinho Rocha, recordou que o ramo aéreo das Forças Armadas colabora
com a Polícia Judiciária e com a Marinha neste tipo de operações, sempre
que “é solicitado e operacionalmente possível”.