Festival Rua Direita celebra os 50 anos da autonomia dos Açores em Angra do Heroísmo
Hoje 10:23
— Lusa/AO Online
“O tema é
Autonomia: 50 anos. O que é a autonomia, o que é que nós sentimos
enquanto açorianos, o que é que isso nos beneficiou? E fazermos uma
análise sensata do que são os últimos 50 anos, enquanto região autónoma
com nove ilhas, uma região que se quer com um crescimento sustentado e
harmonioso”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a diretora
artística da companhia Cães do Mar, Ana Brum, à margem da apresentação
da programação.Este ano, o festival Rua
Direita, que tem como tema "Nas asas do açor", decorre de 9 a 11 de
julho e de 16 a 18 de julho, com espetáculos que se repetem ao longo do
dia, em diferentes espaços da cidade de Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira.Pensado em 2016, o
festival arrancou em 2021, com financiamento da Direção-Geral das Artes,
na rua que lhe dá nome, mas com o passar dos anos foi-se estendendo por
outras artérias do centro histórico da cidade.Todos
os anos, a arte invade lojas, cafés e ruas de Angra do Heroísmo, em
busca de novos públicos, que nem sempre são presença habitual em salas
de espetáculos.“O facto de alguém entrar
para comprar um quilo de batatas numa loja e ser surpreendido por um
espetáculo de dança ou de teatro, pode prender a pessoa, pode comunicar
algo novo, algo que talvez a pessoa não estivesse à espera naquele
preciso momento, e é um momento em que nós criamos uma ligação com o
público”, salientou Ana Brum.Em 2025, assistiram aos espetáculos da Rua Direita mais de 4.000 pessoas, entre locais e visitantes.“As
pessoas têm aderido muito ao projeto. De 2024 para 2025, nós quase que
duplicámos o número de público. Foi um aumento muito substancial.
Sentimos que cada vez mais pessoas que nós não costumávamos ver no
festival começam a aparecer, a procurar, a experimentar”, apontou a
diretora artística da Cães do Mar.Este ano, a organização desafiou os criadores a pensar a autonomia dos Açores, que assinala 50 anos.“Questionamos
o que são estes últimos 50 anos de autonomia, o que nós ganhámos, o que
nós poderemos ainda ganhar, de que forma é que isso nos beneficiou e de
que forma é que isso nos poderia ter beneficiado ainda mais. É
importante fazer perguntas, é importante pôr em causa as coisas e criar
uma crítica construtiva àquilo que aconteceu no passado, para que os
próximos 50 anos possam ser ainda melhores”, salientou Ana Brum.Para
além de grupos da ilha Terceira, a programação desta edição conta com a
participação de artistas do continente e da ilha do Faial.“Entendemos
que é muito importante agilizar estes laços com outras associações, com
outras estruturas de outras ilhas, especialmente num ano como este em
que se fala de autonomia, de regime autonómico, de arquipélago, de
relação entre ilhas”, disse a diretora artística da Cães do Mar.A
livraria Lar Doce Livro, que repete pelo terceiro ano a participação no
festival, vai acolher o espetáculo “Uma arma na gaveta e outras
aventuras”, um ciclo de canções dedicadas a acontecimentos que
antecederam à Autonomia, interpretado por Felix the first.Na
Cervejaria Bela, que se estreia no festival Rua Direita, é apresentado o
espetáculo de dança “Nove”, com Diana Rosa e Derek Nisbet, que presta
homenagem às nove mulheres que fizeram parte do primeiro parlamento
eleito nos Açores.Na Loja das Molduras,
Andreia Simões apresenta o monólogo “Um sonho de asas” e, no Pátio da
Alfândega, Bianca Mendes apresenta o ‘storytelling’ interpretativo “Um
verão quente”, ambos com direção de Peter Cann.A
Loja Basílio Simões, uma das mais emblemáticas da cidade, que é palco
deste festival desde a primeira edição, recebe o espetáculo de dança e
palavra “Tira-nódoas”, com a bailarina de Leiria Francisca Poças.Nas
varandas da Rua da Palha, é apresentado o espetáculo “Sobre o mar,
sobre a terra”, com o grupo de teatro Matilha e o coro da Academia
Musical da Ilha Terceira (AMIT).O artista
plástico Pantónio vai intervir em várias montras de lojas na cidade, que
não foram reveladas, para que o público as possa descobrir.Paralelamente,
à noite, há ainda um espetáculo de música experimental e artes visuais
com Trio Fragata e Pantónio, na Moagem Terceirense, e a instalação
visual "Verdade Mista: Forças Subterrâneas”, de André Oliveira Carreiro,
com curadoria da AvistaVulcão, da ilha do Faial, na Casa do Sal.A
“Loja do que eu Gosto” acolhe o debate “1976: Memórias do ano da
Autonomia”, com Jorge Bruno, Nídia Inácio, José Calçada e Eulália
Bendito e moderação de António Neves.Com
um orçamento de 50 mil euros, o festival é financiado pela Direção-Geral
das Artes, pelo Governo Regional dos Açores e pelo município de Angra
do Heroísmo.