Festival ‘O Mundo Aqui’ regressa ao Pavilhão do Mar
31 de out. de 2025, 19:35
— Susete Rodrigues
O Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, acolhe entre os dias 7 e 8 de
novembro mais uma edição do Festival ‘O Mundo Aqui’, levado a cabo pela
AIPA – Associação do Imigrantes nos Açores.Tendo em conta a
diversidade cultural que existe nos Açores, “pela existência de pessoas
de mais de 90 países diferentes”, disse Leoter Viegas, presidente da
AIPA, o evento tem como objetivo “transformar esse espaço multicultural
num espaço de interculturalidade. É, no fundo, criar espaço para que os
imigrantes e residentes dos Açores possam expressar e manifestar aquilo
que é a sua cultura”. Por isso, o Festival conta com representações de
vários países “que terão essa possibilidade de mostrar aquilo que é a
sua cultura”. A 16.ª edição do Festival ‘O Mundo Aqui’ tem início na
sexta-feira, dia 7 de novembro, com diversas atividades, entre elas a
Feira Gastronómica, com a presença de vários países. Leoter Viegas
destaca a presença da Argentina, que é a primeira vez que participa no
evento. “A Argentina tem uma comunidade imigrante com algum significado
nos Açores, particularmente em São Miguel, e a comunidade vai mostrar a
sua gastronomia”. Marcam presença, também, países como o Brasil, Cabo
Verde, Índia e a Ucrânia. Depois haverá a abertura da exposição de
artesanato, um espaço onde os “imigrantes e também qualquer pessoa
açoriana pode apresentar o seu artesanato”. Destaque para a
exposição de Bonecas do Mundo. Trata-se de uma mostra “privada em que
irão estar expostas bonecas de mais de 120 países”, como por exemplo, do
Japão, da China, da Índia, de São Tomé, de Cabo Verde, dos Estados
Unidos, do Irão. Ainda na sexta-feira, decorrerão dois workshops,
nomeadamente de Afrohouse e Amapiano, dinamizados por Daniela Saraiva e
Karen Castro, respetivamente. Leoter Viegas explica que Daniela Saraiva,
é uma “jovem que viveu nos Açores e a família ainda se encontra cá. Ela
foi para o continente e lá teve sucesso. Faz parte do grupo de
bailarinas de artistas como Soraia Ramos ou Anselmo Ralph. Com ela virá a
Karen Castro, também bailarina, brasileira, que reside no continente”.
Uma das novidades deste ano do Festival é a presença grupo das
Batucadeiras ‘Herança Di Nós Terra’’, de Cabo Verde que dança o
‘Batuco’. O primeiro dia terminará com um concerto de “uma banda musical
formada por alguns imigrantes”, disse o presidente da AIPA.No
sábado, dia 8 de novembro, a Feira Gastronómica começa às 12h00.
Segue-se um workshop de Batuco com as Batucadeiras e também de
Afrohouse. Decorrerá, ainda, um workshop de Bellydance, ministrado por
Jemima Rodrigues. O último dia do Festival vai contar com a atuação do
Grupo de Cantares da Casa do Povo da Fajã de Cima, a atuação de um grupo
de alunos de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde, que se encontram a
estudar na Escola Profissional da Povoação.A encerrar o evento, estarão os cabeça-de-cartaz, o grupo musical de Angola, ‘Irmãos Verdade’.Para
Leoter Viegas, tem sido um desafio organizar este evento, que vai já na
sua 16.ª edição, porque “exige uma grandepreparação, com alguma
antecedência, exige apoios, exige efetuar candidaturas para os pedidos
de apoio, exige materiais logísticos”.Mas mais desafiante é o
trabalho que a AIPA desenvolve “diariamente nos nossos gabinetes de
apoio aos imigrantes, onde atendemos mais de 50 pessoas por dia para
encaminhar, para informar, para ajudar no processo de regularização e de
integração nos Açores”, finalizou.Atividades paralelas na Biblioteca de Ponta DelgadaEste
ano, o evento conta com três atividades paralelas e em parceria com a
Biblioteca Pública de Ponta Delgada, a ter lugar nos dias 4,5 e 6 de
novembro. No dia 4, decorre o lançamento do livro “O Tesouro do
Arco-Íris”. No dia 5, pelas 18h00, será exibido o filme ‘Joan Oró - La
fórmula de la vida’. Um filme que retrata um cidadão espanhol que
imigrou para os Estados Unidos, e conseguiu ter sucesso. “A mensagem
que queremos passar com a exibição desse filme é que um imigrante
também pode ter sucesso através do processo da imigração. Então, é
preciso que a sociedade de acolhimento crie condições para que esse
imigrante tenha sucesso”, disse Leoter Viegas. No dia 6, às 18 horas, decorrerá uma conversa com o grupo de Batucadeiras de Cabo Verde “Herança Di Nós Terra”.