Festival Monte Verde pondera realização de edição de inverno em 2020
Covid-19
8 de mai. de 2020, 09:56
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, a organização do festival, que
iria decorrer de 6 a 8 de agosto, na praia do Monte Verde, na
Ribeira Grande (São Miguel), adiantou que está “a fazer esforços" para
que este "se possa realizar ainda este ano, em data ainda por anunciar”,
mas “o plano é fazer uma edição de inverno”.O
responsável pelo festival, Jacinto Franco, ressalvou que a intenção
“ainda tem de ser aprovada e conversada com os parceiros e com as
entidades competentes”, e que o evento poderá ter dois dias, em vez de
três, e até ser realizado noutro local.O
cartaz irá “manter os artistas já anunciados, com a possibilidade de
mais um ou outro, que já estavam fechados, mas que ainda não tinham sido
anunciados”, explicou, acrescentando que o certame não terá “grandes
cabeças de cartaz a nível internacional”, devido à incerteza em relação
às restrições nas viagens para a região.“Já
estamos a mudar o festival para outra estação do ano, já vai mudar um
bocadinho o espírito do festival, se começarmos a alterar tudo, vamos
descontextualizá-lo completamente, e essa não é a nossa intenção –
queremos manter sempre o mínimo de espírito do Monte Verde, para que as
pessoas possam ter um bocadinho daquilo que estavam à espera, que,
infelizmente, este ano não vai ser possível”, considerou o organizador.A
empresa J&M Eventos, que promove o festival, é também responsável
por vários eventos na ilha de São Miguel e teve já de recorrer ao
'lay-off' dos quatro trabalhadores que se mantêm na empresa, bem como a
linhas de crédito e a outras medidas de redução de custos, como o
encerramento de um escritório.O adiamento
da edição de 2020 do Monte Verde para o inverno poderá colmatar algumas
perdas, mas nunca compensará a sua totalidade.“É
evidente que o festival, passando para outra altura – não sendo no
verão –, não tendo os mesmos cabeças-de-cartaz, e com preços que serão
outros, a previsão de receitas é muito menor. Sabemos que as pessoas não
vão estar com a mesma disponibilidade para estar junto de milhares de
pessoas, estamos a contar com isso”.O
comunicado do Conselho de Ministros anunciava na quinta-feira que está proibida a
“realização de festivais e espetáculos de natureza análoga, até 30 de
setembro de 2020, e a adoção de um regime de caráter excecional dirigido
aos festivais e espetáculos de natureza análoga que não se possam
realizar no lugar, dia ou hora agendados, em virtude da pandemia”.“Para
o caso de espetáculos cuja data de realização tenha lugar entre o
período de 28 de fevereiro de 2020 e 30 de setembro de 2020, e que não
sejam realizados por facto imputável ao surto da pandemia da doença
Covid-19, prevê-se a emissão de um vale de igual valor ao preço do
bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores”,
acrescenta o documento.Este regime será
sujeito a apreciação da Assembleia da República e inclui-se nas “medidas
excecionais e temporárias de resposta à pandemia da doença covid-19 no
âmbito cultural e artístico”.A Lusa tentou
confirmar junto do Governo Regional dos Açores se a medida será
transposta à região, mas o executivo regional ainda não deliberou sobre a
matéria, avançou a diretora regional da Cultura.