Festival Maravilha virado para o mar nos Açores conquista Noiserv
10 de jul. de 2024, 15:01
— Lusa/AO Online
“Quando
fizemos pela primeira vez estes concertos no mar, o David [Noiserv]
estava cá na ilha, foi ao concerto, falou connosco e disse: 'Eu quero
atuar neste palco. Algum dia vocês têm de me convidar, porque eu quero
mesmo atuar aqui'”, revelou, em declarações à Lusa, o diretor artístico
do festival, Tomás Melo.Depois de uma
primeira parte, entre 06 e de 10 de junho, o festival encerra nos dias
12 e 13 de julho, com concertos virados para o mar.Na
sexta-feira, na praia de Porto Pim, atua a Honky Tonk Sailing Band, que
combina o jazz tradicional de New Orleans com projeções de vídeo nas
velas de um veleiro.No sábado, Noiserv
estará em terra, no porto da Horta, mas o público assiste a partir do
mar, em barcos, veleiros, caiaques, jangadas, pranchas de 'stand up
paddle', boias ou flamingos insufláveis.Segundo
Tomás Melo, para além do “laço importante” que criou com a associação
Fazendo, que organiza o Maravilha, Noiserv enquadra-se no conceito do
festival.“Faz todo o sentido, porque
tentamos sempre fazer ali uns concertos mais intimistas, menos
dançáveis, vá, porque as pessoas estão em embarcações e não dá para
dançar. Procuramos que seja mais uma viagem para o público. Adequa-se
perfeitamente”, explicou.Criado em 2005,
Noiserv é o projeto musical do cantor e compositor português David
Santos, que também faz parte da banda You Can’t win Charlie Brown.Apelidado
de “homem-orquestra”, por tocar vários instrumentos em palco, Noiserv
lançou quatro discos e dois EPs, num estilo alternativo/indie rock.Com mais de 500 concertos em Portugal e no estrangeiro, o músico conta ainda com várias colaborações em teatro e cinema.O
festival Maravilha, de entrada gratuita, é destinado, sobretudo à
comunidade local, e muitos dos artistas, alguns velejadores, não são
conhecidos das grandes massas.“Tentamos
que seja uma aproximação mais local, não criar turismo exacerbado na
ilha à conta de um festival”, adiantou Tomás Melo.Para
além dos concertos, o festival terá outras atividades. A artista
franco-belga Soizic Seon vai pintar um mural na freguesia do Capelo e a
artista portuguesa Joana Bértholo vai instalar um conto flutuante na
Jangada Maravilha, na baía de Porto Pim.Nas
ruas do Faial, será possível ainda ver duas obras 'site-specific' do
artista português Superlinox, cuja arte urbana é marcada pela crítica
social.Criado em 2016, o festival Maravilha ganhou um novo formato em 2021, devido à pandemia de covid-19.“Em
2020, foi cancelado por causa da covid. No ano seguinte, continuava a
pandemia a atacar em força e procurámos uma forma de fazer um festival
sem que o público sentisse que estava em pandemia”, lembrou o diretor
artístico.A solução passou por fazer
concertos com o artista em terra, virado para o mar, e o público a
assistir em barcos ou caiaques, assegurando o distanciamento necessário.“Conseguimos fazer acontecer o festival e correu tão bem que continuamos a fazer com esta fórmula”, salientou Tomás Melo.Com este novo formato, cada pessoa têm uma experiência diferente de participação no festival.“É
muito diferente. Cada pessoa o pode ver à sua forma. Há pessoas que vão
na sua prancha de 'stand up paddle' e veem o espetáculo de forma
diferente de quem vê na sua embarcação, com os amigos, com jantar a
bordo. Há muitas abordagens diferentes. Há pessoas a mergulhar e a ver o
festival dentro de água”, contou.Quem não
tem barco ou prancha, recorre aos barcos de observação de cetáceos da
ilha, que ao fim do dia disponibilizam viagens para o festival.A quinta edição do Maravilha arrancou em junho, numa altura em que a marina da Horta está habitualmente cheia de iates.“Tentamos
que esta ligação entre a comunidade estrangeira e local, entre quem
chega à vela e quem cá habita, seja muito forte e estamos a cumprir cada
vez mais, porque há cada vez mais pessoas a aderir ao festival”,
salientou Tomás Melo.Organizado por 20
voluntários da associação cultural Fazendo, o festival Maravilha conta
com o apoio financeiro da Direção-Geral das Artes, da Câmara Municipal
da Horta, do Governo Regional dos Açores e de entidades privadas.