Festival MALA apresenta ‘Clitemnestra’ no Arquipélago
2 de set. de 2025, 16:27
— Susete Rodrigues
A Black Box do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na
Ribeira Grande, acolhe sábado, pelas 21h00, a peça ‘Clitemnestra’, no
âmbito do Festival MALA, organizado pela Associação Rodopio d’ideias.‘Clitemnestra’
conta a história de uma mulher, que tem um nome difícil de pronunciar e
que teve uma vida sofrida. O encenador, Claudio Hochman, explica como
surgiu: é uma “história que adaptei de dois textos clássicos gregos, um
de Eurípedes e um de Ésquilo, porque descobri que a personagem de
Clitemnestra atravessa várias peças destes autores. Contamos a história
desta mulher, que foi mulher de Agamemnon, desde que nasce até à sua
morte”.Para o encenador, o interessante da peça é “como se conta
esta história, porque escolhi três atrizes cantoras, Patrícia Modesto,
Ana Marta Kaufmann e Sofia Leão, que vêm de três formações profissionais
completamente diferentes. Uma é cantora de ópera, a outra é cantora de
musicais, e a outra de música contemporânea. São muito diferentes também
fisicamente, e em termos de energia, de personalidades. Foram elas que
compuseram as músicas e o espetáculo, e todas cantam à capela”,
explicou, para acrescentar que a nível estético, “trabalhamos com
máscaras, como trabalhavam os gregos. E estas máscaras foram feitas pela
Carlota Blanc”.Este espetáculo foi realizado a pedido do Teatro
Romano de Lisboa e foi um desafio para Associação Rodopio d’ideias, com
sede no Cine-Teatro Açor nas Capelas. Claudio Hochman refere que
“como temos uma estreita relação com o Arquipélago, propusemos e eles
aceitaram, e este espetáculo cabe numa mala, porque são os fatos e as
máscaras das personagens”.Foi em julho que ‘Clitemnestra’ teve a sua
estreia no Teatro Romano de Lisboa e as expectativas superaram e
surpreenderam, como afirma o encenador: “Foi muito melhor do que
pensamos, o público ficou louco, não sei... Foi uma coisa muito forte.
Recebemos elogios, não só do público, pelas palmas e pelos comentários,
mas também nas redes sociais, nos encheram de comentários elogiosos,
dizendo que era o melhor que viram em suas vidas”. Isso deu-lhes
motivação extra para trazem a peça a São Miguel, até porque “não é um
espetáculo feito só para nós, está feito para as pessoas, para que as
pessoas gostem da história, da interpretação e da estética”. Por isso,
esperam que no próximo sábado, as pessoas venham ao Arquipélago, “passem
um bom momento, que se divirtam porque este espetáculo tem muito
humor”, referiu Carlota Blanc.O encenador sublinha que a peça tem
“humor e tem tragédia, como a vida. Nós passamos por coisas boas e por
coisas más. O espetáculo reflete isso, reflete a vida. Queremos, também,
que o público saia diferente de como entrou, que lhes desperte
sensações e emoções”.Claudio Hochman confessa que o espetáculo vai
ganhar uma nova vida no Arquipélago porque “vamos adaptar o espaço,
vamos poder contar com luzes, vamos poder sustentar materiais, tanto
humanos como técnicos, do arquipélago. E acho que isso vai fazer com que
o espetáculo seja ainda mais bonito”, finalizou Claudio Hochman.Espetáculo ‘FÁ BU LA’ abriu o Festival MALA na MaiaO
Festival MALA começou ontem, na freguesia da Maia, com a estreia da
peça ‘FÁ BU LA’, com Mariana Robert e Beatriz Costa, que reinterpretem
fábulas de Esopo. Este espetáculo decorre até sábado e vai percorrer
mais seis freguesias, nomeadamente Pilar da Bretanha (hoje, ATL Norte
Crescente), Fajã de Baixo (amanhã, Coriscolândia), São Sebastião
(quinta-feira, Igreja do Colégio), Capelas (sexta-feira, Junta de
Freguesia), Santa Clara (sábado, largo da Igreja) e Ribeira Chã (sábado,
Centro Comunitário Pedro João Cateano Flores). O documentário
‘Cine-Teatro Açor, passado, presente e futuro’, também faz parte do
festival, é exibido quarta-feira, pelas 21h00, nas Capelas.