Festival Lava na ilha do Pico em risco por falta de apoios
18 de dez. de 2023, 18:34
— Lusa
“Para a organização, é
particularmente frustrante investir tempo e esforço na criação de um
projeto cultural, desde o conceito à promoção, e chegar ao fim e não ter
fundos suficientes para pagar a fornecedores e a colaboradores. Diante
deste cenário, a organização pondera seriamente a não realização da
próxima edição do festival”, avançou a associação cultural Get Art, que
organiza o festival, em comunicado de imprensa.Segundo
Daniela Silveira, fundadora da Get Art, a associação apresentou uma
candidatura ao Regime Jurídico de Apoio às Atividades Culturais (RJAAC),
há mais de um ano, mas ainda não recebeu a confirmação do valor do
apoio.O festival decorreu em finais de
setembro e até ao momento, do executivo açoriano, a organização recebeu
apenas o apoio da Direção Regional do Turismo."Falamos
de valores residuais, quantias que ficam muito aquém das necessidades
reais do setor cultural, considerando os custos de contexto e
geográficos muito específicos. O que observamos este ano no RJAAC é algo
sem precedentes, não há memória disso. Muito nos espanta que o setor se
tenha mantido tão brando durante todo este tempo", salientou Daniela
Silveira.A promotora do evento defendeu
que o festival, que já foi nomeado para os Iberian Festival Awards, “tem
sido um catalisador cultural na ilha do Pico, enriquecendo a oferta
cultural do triângulo”.Daniela Silveira
acrescentou que, este ano, se deslocaram ao Pico jornalistas da revista
francesa Citizen Jazz e da revista madrilena In and Out Jazz.“Chegaram
aos Açores e encontraram um setor mendigo sem fundos para trabalhar,
por incompetência de quem governa a tutela. Podemos vender contos de
fadas, mas a realidade está muito longe da ficção criada. Ninguém tem a
coragem de o dizer publicamente, mas a candidatura de Ponta Delgada a
Capital Europeia da Cultura não ganhou porque o júri percebeu que o que
estavam a tentar ‘vender' não correspondia à verdade”, criticou.Questionado
pela Lusa, o diretor regional dos Assuntos Culturais, Duarte Nuno
Chaves, disse que 98% das candidaturas já estarão processadas, mas que
há “uma percentagem muito pequena” a aguardar a reavaliação. “É
uma percentagem muito pequena, não vou particularizar porque não sei se
será o caso ou não. Posso dizer que a quase totalidade das candidaturas
já está processada”, adiantou.Segundo o
diretor regional, a lei prevê que os agentes culturais possam pedir a
reavaliação da nota atribuída por uma comissão independente para
definição do apoio a atribuir.Não
concordando com essa reavaliação, podem ainda pedir o recurso
hierárquico, que é reencaminhado para a apreciação do membro do governo
que tutela os Assuntos Culturais.Tirando estas situações, o responsável garantiu que “não há qualquer candidatura pendente”.“Não
posso garantir que estejam todas pagas, mas os processos estão todos
finalizados e à medida que vão sendo finalizados vai sendo enviada a
indicação para pagamento aos respetivos destinatários”, frisou.Questionado
sobre atrasos no pagamento, Duarte Nuno Chaves lembrou que substituiu o
anterior diretor regional no início do ano, o que atrasou a
constituição das comissões, mas disse que a diferença em relação a anos
anteriores “não foi muito grande”.“A média de atribuição das pontuações das comissões de apreciação andou entre junho e julho”, explicou.O
novo RJAAC, já discutido com os agentes culturais, não deverá ser já
implementado, porque há eleições antecipadas nos Açores em fevereiro,
mas as comissões de avaliação estão “praticamente concluídas” e deverão
estar em condições de começar a avaliar as candidaturas para 2024 em
janeiro. “Nos últimos anos, as comissões de avaliação nunca foram formadas tão cedo”, vincou o diretor regional.