Festival Angrajazz com Leïla Olivesi, Tyreek McDole e SF Jazz Collective
Hoje 15:47
— Lusa/AO Online
“Os bilhetes estão a ser bem vendidos e, portanto, penso que teremos praticamente sempre casa cheia”, afirmou, em declarações à Lusa, José Ribeiro Pinto, da Associação Cultural Angrajazz, que organiza o festival desde 1999.De sexta-feira a domingo, o Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, acolhe o festival, que, segundo a organização, é já uma referência no jazz a nível nacional e internacional.“O Angrajazz é um dos grandes festivais nacionais. Todos os críticos são unânimes quanto a essa questão. E também já somos muito conhecidos internacionalmente, por grandes músicos de jazz. Por exemplo, este projeto do Aaron Parks e do Walter Smith foram eles que se ofereceram para vir cá, porque já nos conheciam bem”, salientou José Ribeiro Pinto.Com um orçamento que ronda os 120 mil euros e uma receita de bilheteira prevista de 20 mil euros, o organizador admite que nem sempre é possível contratar “super estrelas” do jazz, mas ao longo destas duas décadas já passaram pelo palco do Angrajazz nomes como Carla Bley, Herbie Hancock, Kurt Elling, Toots Thielemans ou Charles Lloyd.“Não podemos trazer as super estrelas, digamos assim, porque são caríssimas, isso é evidente, mas dentro de um orçamento contido, nós trazemos os melhores. E, aliás, basta ver a lista enorme de músicos extraordinários que já passaram pelo Angrajazz”, sublinhou.Realizado numa ilha, com custos logísticos acrescidos, e sem margem para aumentar significativamente o preço dos bilhetes para continuar a fidelizar o público, a organização depende, sobretudo, de apoios públicos, que não têm sofrido grandes oscilações.“Os apoios não aumentam. Portanto, vamos fazendo a nossa ginástica financeira para que as coisas corram bem. Infelizmente, é uma luta ano a ano. O Governo Regional devia apoiar o Angrajazz, pelo menos, a três anos. Todos os anos vamos candidatar-nos como se fosse o primeiro”, lamentou José Ribeiro Pinto.Sempre atentos às revistas da especialidade e aos novos lançamentos, os membros da associação, que organizam o festival há mais de duas décadas sem retirar lucros, têm apostado sobretudo nos novos nomes que se começam a destacar.“Nós trouxemos a Cécile McLorin Salvant no ano em que era revelação e no ano seguinte foi a melhor cantora do mundo. Quando nós a trouxemos, praticamente ninguém a conhecia, e depois, no ano a seguir, foi eleita a melhor do ano. Com a Samara Joy foi exatamente a mesma coisa”, lembrou o organizador.Este ano, a revelação é o cantor haitiano-americano Tyreek McDole que, aos 26 anos, já conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Jazz Vocal Sarah Vaughan e foi eleito ‘Rising Star’ pela revista Down Beat e ‘Revelação do Ano’ pela revista francesa Jazz Magazine.Outro dos destaques desta edição é San Francisco Jazz Collective, que, este ano, convidou o saxofonista Chris Potter para reunir um septeto e compor música inspirada na exposição “About Place”, dos Museus de Belas Artes de São Francisco.“É um dos grupos mais fantásticos do jazz atual, com músicos maravilhosos, portanto, será um momento especial, com certeza”, vincou José Ribeiro Pinto.Pelo palco do Angrajazz vai passar também o octeto da pianista Leïla Olivesi, eleita como ‘Música Francesa do Ano’ em 2025 pela revista Jazz Magazine.O duo do pianista Aaron Parks e do saxofonista Walter Smith III, dos Estados Unidos, apresentam um espetáculo que celebra o 100.º aniversário do nascimento de John Coltrane.O nome de relevo do jazz nacional escolhido para esta edição é o pianista e compositor Pedro Neves, que apresenta o seu primeiro álbum em quarteto, “Northern Train”.O festival arranca, como sempre, com a Orquestra Angrajazz, com direção de Pedro Moreira, que este ano celebra o 100.º aniversário do nascimento de Miles Davis.Fundada em 2002, a orquestra é composta por músicos locais e, segundo José Ribeiro Pinto, “revolucionou” as filarmónicas da ilha, que passaram a apostar cada vez mais na formação dos seus músicos.“Penso que tivemos uma influência absolutamente extraordinária na evolução das filarmónicas, com o projeto da Orquestra Angrajazz, o que é extremamente gratificante”, frisou.