Festival Angrajazz arranca na quinta-feira nos Açores com Artemis, Ekep Nkwelle e David Murray
1 de out. de 2025, 17:56
— Lusa/AO Online
“As
expectativas são grandes como sempre. As vendas estão a correr
muitíssimo bem. Pensamos que vai ser uma edição do mesmo nível, quer de
qualidade, quer de espetadores”, afirmou, em declarações à Lusa, José
Ribeiro Pinto, membro da direção da Associação Cultural Angrajazz, que
organiza o festival desde 1999.A fórmula
do festival mantém-se praticamente igual desde os primeiros anos: três
noites, seis espetáculos, uma banda local, uma nacional, uma europeia e
três norte-americanas.“Nós achamos que é
uma fórmula correta e muito abrangente. Procuramos mostrar várias
‘nuances’ do jazz, o trio clássico de jazz, com piano, contrabaixo e
bateria, um cantor ou cantora… Vamos variando de instrumentos, de modo a
mostrar a grande música que é o jazz”, salientou José Ribeiro Pinto.O
festival, que decorre no Centro Cultural e de Congressos de Angra do
Heroísmo, na ilha Terceira, arranca sempre com a Orquestra Angrajazz,
formada por músicos locais, e o cartaz integra todos os anos uma banda
nacional.“Não faz sentido fazer um
festival de jazz em Portugal sem um grande grupo português. O jazz em
Portugal está em forte desenvolvimento, tem uma pujança enorme, tem
músicos fantásticos, portanto temos de os apoiar”, vincou o membro da
direção da associação Angrajazz.Este ano, a
Orquestra Angrajazz, acompanhada pelo baterista e cantor João Ribeiro,
assinala os 80 anos da passagem de Frank Sinatra pela ilha Terceira.No
final dos anos de 1940 e no início dos anos de 1950, passaram pela base
das Lajes, na ilha Terceira, não só Frank Sinatra como outros músicos
norte-americanos ligados ao jazz, como Glenn Miller, Stan Kenton, Lee
Konitz e Irving Berlin.Segundo José
Ribeiro Pinto, esse contacto com o jazz, por influência norte-americana,
pode justificar a ligação que a população da ilha Terceira ainda hoje
mantém com o jazz, marcando presença nos diversos espetáculos de bandas
locais, nacionais e internacionais, que ocorrem ao longo do ano. Na quinta-feira, depois da orquestra Angrajazz, atua o quinteto do saxofonista e compositor italiano Stefano Di Battista.“A
atuação vai ser muito engraçada, porque vai ser principalmente dedicada
aos grandes sucessos da música italiana, como o 'Volare', o 'Con te
Partirò', o 'La Dolce Vita'… O concerto chama-se mesmo La Dolce Vita”,
salientou o membro da organização.Na
sexta-feira, o festival arranca com o trio do pianista luso-francês
Samuel Lercher, que apresenta o seu mais recente disco “Fractal”,
lançado em 2024.Segue-se o quarteto da
cantora norte-americana, descendente de camaroneses, Ekep Nkwelle, que
José Ribeiro Pinto acredita que terá uma “grande carreira no jazz”.“Formou-se
na Howard University e depois foi para Nova Iorque, para a Juilliard. É
uma jovem cantora, nem sequer tem um disco gravado, mas tem sido
altamente elogiada pela crítica, e desde logo o Wynton Marsalis
convidou-a para o Lincoln Centre de Nova Iorque”, realçou.No
sábado, sobe primeiro ao palco do festival o quarteto do saxofonista
tenor norte-americano David Murray, “um histórico do jazz", que "tem uma
carreira brilhante, com 200 discos gravados”.O festival encerra com as norte-americanas Artemis, “um grupo com cinco músicas maravilhosas”, segundo José Ribeiro Pinto.“É
um quinteto que foi eleito pela Associação de Jornalistas de Jazz dos
Estados Unidos o melhor grupo de jazz do ano passado e também pelos
leitores da revista Downbeat o melhor grupo de jazz de 2023 e 2024”,
reforçou.Paralelamente à programação no
Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, a Associação
Cultural Angrajazz promove também o Jazz na Rua.Desde
sexta-feira, há, todos os dias, concertos gratuitos em restaurantes,
bares, lojas e espaços públicos, em Angra do Heroísmo, com Bruno
Sebastian Quarteto, Wave Jazz Ensemble e João Ribeiro Quarteto.O
programa inclui ainda ações de divulgação do jazz junto de alunos do
secundário e uma formação para músicos locais com o Samuel Lercher Trio.