Festival açoriano no Canadá recupera memórias do sismo de 1980

Hoje 15:08 — Lusa/AO Online

“A peça de teatro vem numa de desabafos, vem de cada pessoa dizer o que é que passou, o que é que sentiu”, afirmou aos jornalistas Sara Vieira da Costa, produtora executiva do Azorean Cultural Weekend, durante a apresentação do evento, no Consulado-Geral de Portugal em Toronto.A responsável explicou que o espetáculo procura abordar acontecimentos que muitas famílias açorianas nem sempre discutiram abertamente.“Nós crescemos a ouvir falar do sismo, mas não de uma forma muito explicada”, afirmou, acrescentando que a iniciativa pretende transmitir às gerações mais jovens aquilo que as famílias viveram e mostrar que “não há problema de falar sobre as coisas”.O espetáculo “O Chão Começou-me a Faltar”, dirigido pela atriz portuguesa Lúcia Moniz, será apresentado em 21 de fevereiro de 2027, na Casa do Alentejo de Toronto, recuperando testemunhos de pessoas que viveram o terramoto de 1 de janeiro de 1980 e permaneceram nos Açores.A organização pretende complementar a peça com uma série de seis podcasts, produzidos por órgãos de comunicação social da comunidade portuguesa no Canadá, com testemunhos de açorianos cuja decisão de emigrar esteve relacionada com o sismo de 1980 ou as suas consequências.Enquanto a peça recupera as experiências de quem permaneceu nos Açores, os podcasts procuram documentar as histórias de quem partiu, as dificuldades da emigração e a reconstrução das suas vidas no Canadá.O projeto pretende preservar testemunhos diretos e criar um arquivo oral sobre a emigração açoriana, permitindo às novas gerações conhecer experiências familiares relacionadas com o terramoto.A iniciativa integra a segunda edição do Azormyth Music Festival, que em 2027 alarga a programação ao cinema, teatro e fotografia, sob a designação Azorean Cultural Weekend, entre 19 e 21 de fevereiro, em Mississauga e Toronto, na província canadiana de Ontário.“O Azormyth foi criado com o objetivo de dar um palco na América do Norte ao artista açoriano”, explicou Sara Vieira da Costa, justificando o alargamento do festival com a diversidade artística de Lúcia Moniz.A responsável admitiu que o novo formato representa custos superiores aos da primeira edição e que a sua continuidade dependerá da adesão do público.Sara Vieira da Costa revelou ainda que pretende levar o projeto a outras regiões do Canadá, à América do Norte e à Europa, depois de consolidar o conceito no mercado canadiano.A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, destacou a importância do projeto para a preservação da identidade açoriana e a aproximação das novas gerações às suas origens.“Este é um projeto que alia a celebração da identidade açoriana à promoção da modernidade açoriana, entendida num contexto transcultural”, declarou aos jornalistas.A diplomata sublinhou que o festival reúne diferentes expressões artísticas e contribui para aproximar as comunidades portuguesas das suas raízes culturais.“Estamos aqui a celebrar os portugueses, canadianos, açorianos, que são um pouco dos três ao mesmo tempo”, acrescentou.O presidente do Centro Cultural Português de Mississauga, Jorge Mouselo, confirmou o apoio da instituição à segunda edição, depois da experiência positiva do primeiro festival.Também Andreia Pereira, coordenadora sociocultural da Casa do Alentejo de Toronto, destacou a importância da colaboração entre associações portuguesas de diferentes regiões, considerando que a peça é uma oportunidade para divulgar a história dos Açores junto do público português e canadiano.O programa começa em 19 de fevereiro, no Centro Cultural Português de Mississauga, com uma sessão dedicada ao cinema e uma conversa com Lúcia Moniz sobre a sua carreira artística.No dia seguinte, o mesmo espaço acolhe o Azormyth Music Festival, com atuações de Lúcia Moniz, Cristóvam, Filipa Lima, João Pedro Santos, Rafael Ourique, Briana Espínola e DJ Perrox, numa apresentação conduzida por Tatiana Ourique.O festival encerra-se em Toronto, em 21 de fevereiro, com a apresentação da peça sobre o terramoto de 1980 e uma componente fotográfica associada ao projeto Foto Íris.A iniciativa conta com a colaboração do Centro Cultural Português de Mississauga, da Casa do Alentejo de Toronto, da Casa dos Açores e do LEVE Group, estando alguns elementos da programação ainda sujeitos a confirmação.