Festas Sanjoaninas de Angra do Heroísmo retomadas sem animação nas ruas
17 de jun. de 2021, 12:21
— Lusa/AO Online
“São as
Sanjoaninas que se podem fazer, uma vez que ainda estamos com uma
pandemia. Vamos tentar lembrar às pessoas o que são as Sanjoaninas, aos
nossos residentes, bem como aos nossos emigrantes e àqueles que vivem
fora da nossa terra”, avançou, em declarações à Lusa, o vice-presidente
do município de Angra do Heroísmo, que organiza as festas, José Gaspar
Lima.Consideradas como uma das maiores
festas profanas do arquipélago, as Sanjoaninas atraem todos os anos
milhares de pessoas a Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, numa
celebração do São João que se estende por 10 dias, com cortejos, marchas
populares, música, gastronomia, tauromaquia, desporto e exposições,
entre outras atividades.Este ano, as ruas
não estão enfeitadas, não há tascas espalhadas pelo centro histórico da
cidade, nem haverá fogueira para saltar na Rua de São João.Os
espetáculos musicais, as touradas e as apresentações de livros
ocorrerão em recintos fechados, com entradas limitadas, devido à
pandemia, estando ainda previstas algumas atividades desportivas e
exposições.Tudo o resto, terá de ser visto
através de um ecrã de computador ou de televisão, incluindo o cortejo
de abertura, que foi previamente gravado “no interior da ilha e junto ao
mar”.Todos os dias há uma programação
digital paralela e os próprios espetáculos musicais, de acesso gratuito,
serão transmitidos na internet.Segundo José Gaspar Lima, era preciso garantir que as Sanjoaninas não eram esquecidas, mas a organização já pensa em 2022.“Avançamos
assim porque entendemos que dois anos sem lembrar as Sanjoaninas não
era bom para a marca das festas e para a organização. É no sentido de
lembrar às pessoas que as Sanjoaninas estão vivas e, para o ano, se tudo
correr bem e a pandemia estiver ultrapassada, então faremos umas
grandes festas, onde as pessoas se possam encontrar, com festejos de rua
e todos os espetáculos que se costuma fazer”, afirmou.O
autarca alega que as pessoas compreenderam a decisão porque, antes de
retomar as festas, é preciso garantir a saúde da população.“Primeiro, vamos tratar das pessoas, vamos pôr a segurança das pessoas acima de tudo e então fazemos depois as festas”, frisou.Habitualmente,
o município investia entre 600 e 700 mil euros na organização das
festas, que eram um dos principais atrativos turísticos do concelho e
traziam todos os anos milhares de emigrantes de regresso à ilha
Terceira.Este ano, “o investimento da
câmara ronda entre os 200 a 250 mil euros” e dará, sobretudo, um
contributo aos músicos e empresários locais.“É
uma altura para colaborarmos com os nossos artistas, tentando ajudar e
injetando algum dinheiro na economia, para melhorarmos a situação desses
grupos que já há muito tempo não tocam e precisam de facto de
espetáculos”, salientou José Gaspar Lima.O
programa das Sanjoaninas estende-se até 27 de junho, com perto de duas
dezenas de espetáculos musicais e três espetáculos tauromáquicos.