Festas Sanjoaninas da Terceira com centenas de participantes de fora da ilha
21 de jun. de 2023, 12:21
— Lusa/AO Online
“O facto de termos
tantos grupos a participar e com vontade de fazer parte da nossa festa é
um motivo de orgulho e uma resposta a uma das nossas características
mais reconhecidas, que é esta capacidade de receber”, adiantou, em
declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do
Heroísmo, Guido Teles.As festas,
organizadas por aquele município da ilha Terceira, celebram o São João
durante 11 dias (mais um do que o habitual, nesta edição), com cortejos,
marchas populares, música, gastronomia, tauromaquia, desporto e
exposições, entre outras atividades.Este
ano, participam 16 grupos de outras ilhas, do continente e até dos
Estados Unidos da América (EUA), incluindo 10 marchas (nove de adultos e
uma de crianças), quatro filarmónicas e uma charanga.No
ano em que as festas celebram o 40.º aniversário da inscrição de Angra
do Heroísmo na lista do Património Mundial da UNESCO, vão passar também
pelas ruas da cidade os Caretos de Podence, reconhecidos como Património
Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2019.Para
além de darem uma maior “dimensão” às festas, estes grupos “trazem
imensos amigos e familiares”, que dão um contributo à economia local,
segundo Guido Teles.“O alojamento, tanto quanto sabemos, está praticamente esgotado desde o início do ano”, salientou.A
“noite mais longa do ano” em Angra do Heroísmo será, este ano, ainda
mais longa, com o desfile de 35 marchas populares pelas principais ruas
da cidade, incluindo nove de fora da ilha, a que se somam nove marchas
de crianças (uma de São Miguel) na noite seguinte.“Será
uma noite mais longa do que estamos habituados, porque temos 35 marchas
a desfilar na noite de 23, mas é sinal de que muitas querem participar e
festejar o São João nas Sanjoaninas”, frisou Guido Teles.O número já foi superior, mas em edições anteriores as marchas eram divididas por duas noites.Se
todos cumprirem com os tempos máximos estabelecidos pela autarquia,
estima-se que o desfile termine por volta das 5h00, com tempo para
saltar a fogueira na Rua de São João antes de o sol nascer.Com
seis marchas de São Miguel (incluindo uma de crianças), duas do Faial e
duas dos Estados Unidos, há um recorde de participação de fora da ilha.Foi
a Marcha dos Coriscos que iniciou essa ligação, em 2010, para
“desmistificar bairrismos” entre São Miguel e Terceira e para “os
micaelenses aprenderem com os terceirenses a viver as festas”.“Sentimo-nos
bem a marchar na Terceira, porque somos bem recebidos e somos capazes
de compreender o espírito das festas. Quando marchamos ali, sentimo-nos
em casa”, apontou Luís Freitas, membro da marcha.Os “Coriscos” são já uma presença habitual nas Sanjoaninas e há até quem já marque estadia com um ano de antecedência.“Representamos
a ilha de São Miguel na Terceira durante aquela noite e nos restantes
dias do ano acabamos por representar o espírito terceirense em São
Miguel”, salientou.Entre 100 marchantes,
há um que chama mais a atenção da população: José Manuel Bolieiro,
presidente do Governo Regional dos Açores.Luís
Freitas admitiu que é um “orgulho” marchar com o presidente do
executivo, mas disse que a participação de Bolieiro é encarada “com
alguma naturalidade”, até porque ele foi um dos fundadores.“Desperta
atenção e curiosidade, mas antes de ser um membro com um cargo
importante já era um marchante e foi sempre no mesmo lugar da marcha
desde o início”, frisou.