Festa dos Tabuleiros inscrita no inventário de Património Cultural Imaterial
8 de mai. de 2023, 09:43
— Lusa/AO Online
O anúncio está datado de 19 de abril e é assinado pela subdiretora-geral do Património Cultural Rita Jerónimo.“A
inscrição da 'Festa dos Tabuleiros' no Inventário Nacional do
Património Cultural Imaterial […] [destaca] a importância de que se
reveste esta manifestação do património cultural imaterial enquanto
reflexo da identidade da comunidade envolvente e os processos sociais e
culturais nos quais teve origem e se desenvolveu a manifestação do
património cultural imaterial na contemporaneidade”, pode ler-se no
anúncio hoje publicado.A fundamentação
científica para integrar a Festa dos Tabuleiros no Património Cultural
Imaterial nacional foi entregue em 31 de julho de 2019, invocando a
antiguidade e o facto de esta ser “uma festa única no país e no mundo”,
ser “do povo, feita pelo povo e para o povo”, como realçou, na altura, a
presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas.Com
origem pagã, simbolizando a época das colheitas, a Festa dos Tabuleiros
adquiriu caráter religioso na Idade Média, com a Rainha Santa Isabel,
sendo os tabuleiros da festa de Tomar únicos com esta forma nas
tradicionais festas do Espírito Santo que se realizam um pouco por todo o
país.Anabela Freitas declarou, então, que
a entrada no inventário nacional do Património Cultural Imaterial daria
início a uma nova fase, a da preparação de uma candidatura a Património
Imaterial da Humanidade da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura, na sigla em inglês).A
candidatura continha informação de caráter histórico e etnográfico,
atestando a dinâmica atual da prática social, e “as dinâmicas que a
tradição conheceu no âmbito da sua génese e transmissão ao longo das
gerações", disse, na altura, à Lusa, André Camponês, do Instituto de
História Contemporânea (IHC), que coordena cientificamente o projeto de
candidatura.No trabalho de preparação
foram recolhidas informações, depoimentos e documentos sobre a Festa dos
Tabuleiros, preparadas propostas de salvaguarda, como “os registos
vídeo e fotográficos de profissões em vias de extinção, como o latoeiro
ou o cesteiro, para que possam ser replicados no futuro, ou a criação de
um Centro Interpretativo da Festa”.Segundo
André Camponês, a data mais antiga que documenta a existência da Festa
dos Tabuleiros (então designada Festa em Honra do Divino Espírito Santo)
é de 1844, informação obtida no livro de Actas e Contabilidade da
Academia Philarmónica Tomarense (já desaparecida), e o testemunho mais
antigo da Festa do Espírito Santo em Tomar é a Coroa da Asseiceira de
1544.Dada a sua complexidade, a festa
realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em
que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a
Expo 98, evento no qual participou com um cortejo a convite do então
Presidente da República, Jorge Sampaio.A
última festa realizou-se em 2019, pelo que este ano, de 01 a 10 de
julho, a Festa dos Tabuleiros regressa às ruas de Tomar, na sequência da
decisão tomada pelo povo no ano passado.O
anúncio da festa será feito no domingo de Páscoa, a 09 de abril, com a
primeira procissão das Coroas e Pendões do Espírito Santo, seguindo-se
mais seis “saídas de Coroas” com percursos diferentes, para percorrer
todas as ruas da cidade.No dia 02 de julho
realizar-se-á o Cortejo dos Rapazes, no dia 05 serão abertas as ruas
ornamentadas, a 07 acontecerá o Cortejo do Mordomo, a 08 os cortejos
parciais dos tabuleiros, a exposição de tabuleiros na Mata dos Sete
Montes e a final dos jogos populares, decorrendo dia 09 a Procissão das
Coroas e Pendões do Espírito Santo e o Grande Cortejo dos Tabuleiros,
com a festa a culminar no dia 10 com a distribuição da Pêza ou Bodo.