Ferro Rodrigues destaca “maior centralidade do parlamento” no 3.º aniversário da sua eleição
23 de out. de 2018, 09:41
— Lusa/AO Online
Na
mensagem colocada no ‘site’ do parlamento na Internet, Ferro Rodrigues
começa por recordar precisamente a sua eleição em 23 de outubro de 2015,
quando obteve 120 votos, enquanto o outro candidato ao cargo, o
deputado do PSD e atual líder parlamentar Fernando Negrão, obteve 108
votos.“Têm
sido tempos marcados por um novo ambiente económico, social e político,
no quadro do qual os Órgãos de Soberania têm revelado uma relação
institucional que considero exemplar”, salienta a segunda figura do
Estado.Para
Ferro Rodrigues, “depois de um período inicial de adaptação àquilo que
era novo”, a XIII Legislatura “tem decorrido num cenário de plena
estabilidade, com o parlamento a exercer a iniciativa legislativa, o
escrutínio democrático e o debate político que lhe cabe”. “Se
tem havido diferenças significativas em relação a legislaturas
anteriores, elas prendem-se muito com a maior centralidade do parlamento
no processo legislativo e em particular no processo orçamental. Isto é
algo que valoriza a representação política e o voto plural dos
portugueses”, defende o Presidente da Assembleia da República.Na
sua mensagem, Ferro destaca ainda a abertura do parlamento aos
cidadãos, invocando as iniciativas no âmbito do Parlamento Digital, as
Comemorações dos 40 Anos da Constituição ou as Celebrações do
Bicentenário do Constitucionalismo, que disse que irão ser
complementadas por ocasião dos 45 Anos do 25 de Abril, já no próximo
ano, “com a evocação dos famosos 3 Ds” (Democratizar, Descolonizar e
Desenvolver).Por
ocasião do 3.º aniversário da sua eleição, o presidente da Assembleia
da República saúda os portugueses, representados por todos os deputados,
e cumprimenta, de forma particular, os vice-presidentes da Assembleia
da República, os líderes parlamentares das várias bancadas, o deputado
único do PAN e os deputados secretários da Mesa, enaltecendo ainda a
“excelência dos funcionários parlamentares”. “Enquanto
a Assembleia da República for este espaço de lealdade, de pluralismo
político e de relação institucional exemplar com os outros Órgãos de
Soberania, atrevo-me a pensar que a minha missão estará a ser cumprida”,
afirmou.Há
três anos, a eleição de Ferro Rodrigues decorreu num clima político
tenso, com PSD e CDS-PP a acusarem o PS de ter quebrado uma tradição
parlamentar de ser o partido mais votado a indicar o candidato a
presidente da Assembleia da República.Na
altura, participaram nesta votação os 230 deputados em funções, e houve
dois votos brancos. A eleição de Ferro Rodrigues com 120 votos contra
os 108 de Negrão foi recebida com palmas pelas bancadas da esquerda, e
aplaudida de pé pelos deputados do PS, com os grupos parlamentares do
PSD e do CDS-PP em silêncio.Fernando
Negrão candidatou-se a presidente da Assembleia com o apoio de PSD e
CDS-PP, que coligados venceram as eleições legislativas e na nova
composição do parlamento somam 107 deputados: 89 da bancada
social-democrata e 18 da bancada centrista.Os
restantes partidos têm, no total, 123 deputados. O PS, que propôs Ferro
Rodrigues para o cargo de presidente da Assembleia da República, tem 86
deputados, o BE tem 19, o PCP 15, o PEV 2 e o PAN 1.Segundo
o Regimento da Assembleia da República, "é eleito presidente da
Assembleia o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos dos
deputados em efetividade de funções", 116 em 230. Quando nenhum dos
candidatos obtém essa votação, procede-se a uma segunda votação.Pouco
mais de duas semanas depois, em 10 de novembro, as bancadas da esquerda
uniram-se para ‘chumbar’ o programa do Governo PSD/CDS-PP, o que viria a
abrir caminho à formação de um Governo minoritário do Partido
Socialista.