Ferro nega decisão igual à de Aguiar-Branco perante projeto do Chega de revisão constitucional
Hoje 12:22
— Lusa/AO Online
Na
quinta-feira, em plenário, o atual presidente do Parlamento, José Pedro
Aguiar-Branco, afirmou Ferro Rodrigues tomou idêntica posição à sua em
matéria de processo de revisão constitucional e também perante um
projeto do Chega.O atual projeto do Chega
de revisão constitucional do Chega entrou no parlamento a 7 de maio
passado, mas o presidente da Assembleia da República, num despacho de 29
de maio, invocou dúvidas de constitucionalidade e solicitou um parecer
ao auditor jurídico. Um parecer que, entretanto, deixou de ter efeito,
porque o PSD e o Chega solicitaram em conjunto remeter o processo de
revisão constitucional para o final de dezembro. E o próprio partido
liderado por André Ventura admitiu poder alterar o seu projeto, embora
sem o retirar.Nesse sentido, alegando que o
teor do projeto do Chega não estava estabilizado, José Pedro
Aguiar-Branco suspendeu a decisão de admitir ou não esse mesmo projeto, o
que é contestado pela esquerda, sobretudo pelo PS.Numa mensagem enviada à agência Lusa, Ferro Rodrigues diz que “o senhor presidente da Assembleia da República faltou à verdade”.“O
que fiz em 2020 foi exatamente o contrário do seu procedimento. Penso
que isto é muito grave”, acrescentou o antigo ministro socialista.Ferro
Rodrigues fez acompanhar esta declaração de um despacho que emitiu em
2020 em relação ao projeto de revisão constitucional apresentado nessa
altura pelo deputado único do Chega, André Ventura, que foi admitido,
apesar de também suscitar dúvidas de constitucionalidade.Nesse
despacho, de 09 de outubro de 2020, sobre um projeto que deu entrada em
22 de setembro desse ano, Ferro Rodrigues alegou o seguinte: “Entendo
que o poder de rejeitar uma iniciativa deve ser exercido com a maior
cautela, em respeito pelos poderes de iniciativa constitucionalmente
reconhecidos”.Tendo em consideração a
argumentação expendida no parecer que requereu à Comissão de Assuntos
Constitucionais, “bem como as diferentes posições defendidas por alguns
constitucionalistas sobre esta matéria”, Ferro Rodrigues concluiu que “a
especial complexidade da questão da revisibilidade dos limites
materiais de revisão aconselha a que não seja rejeitada uma iniciativa
de revisão constitucional que não respeite esses mesmos limites, ainda
que de forma evidente, como é o caso”.A
partir dessa data, 29 de setembro de 2020, o antigo secretário-geral do
PS indicou que começava a contar o prazo de 30 dias para apresentação de
outros projetos de revisão constitucional por parte de outras bancadas,
findo o qual foi constituída uma Comissão Eventual de Revisão
Constitucional.