Ferro defende fiscalização do Governo pela AR mas com reuniões em número reduzido
Legislativas
21 de fev. de 2022, 17:57
— Lusa/AO Online
De
acordo com a súmula da conferência de líderes, que decorreu a 18 de
fevereiro, presidente da Assembleia da República,
Eduardo Ferro Rodrigues, lembrou que “pese embora a AR se encontrar
dissolvida, mantém poderes constitucionais e regimentais, desde logo de
fiscalização do Governo através da sua Comissão Permanente (CP)”. “Considerou,
no entanto, que, em resultado da repetição do ato eleitoral nas
assembleias de voto do círculo da Europa determinada pelo Tribunal
Constitucional – e mesmo tendo presente que não haverá possibilidade de
alterar a relação de forças políticas que resultou das eleições
legislativas de 30 de janeiro –, o que deve nortear o funcionamento da
AR é o bom senso político”, lê-se na súmula. Ferro
Rodrigues acrescentou que o parlamento “tem de prestar contas ao país,
concentrando a sua atividade na função mais nobre que lhe assiste neste
momento, que é a do acompanhamento da atividade do Governo, mas,
necessariamente, com um número reduzido de reuniões da Comissão
Permanente”. Nesta reunião foi também
debatido o requerimento apresentado pelo PSD para a realização de um
debate com a ministra da Justiça e da Administração Interna, a fim de
prestar esclarecimentos sobre o processo eleitoral dos emigrantes do
círculo eleitoral da Europa. Pelo PS, o
deputado Pedro Delgado Alves alertou para o contexto de dissolução do
parlamento, “bem como para a circunstância de ter sido decidida pelo
Tribunal Constitucional a repetição do ato eleitoral para o círculo da
Europa”.O socialista “recordou que,
estando essas eleições pendentes, deveria ser respeitada a praxe
parlamentar de não marcar reuniões em período de campanha eleitoral,
adiantando, ainda, que se devia tomar como referência a data-limite de
13 de março, em que estava previsto que terminassem as votações do
Círculo da Europa”. Por seu turno, o líder
parlamentar do PSD, Adão Silva, defendeu que “a AR arriscava-se a estar
desmobilizada durante dois meses, o que era uma situação difícil de
entender, tendo a CP competência para fiscalizar a atividade do
Governo”. Na opinião do social-democrata, o
parlamento “devia dar aos cidadãos a ideia de que está a funcionar e a
cumprir a sua função, referindo, assim, que o GP do PSD não tinha nada
contra a marcação de várias reuniões da CP de conteúdo político, nem
nenhum rebuço em alterar, nesta fase, a grelha para o debate com os
membros do Governo, de modo a se poder alcançar um genuíno
questionamento do Governo, à semelhança do que era feito nas comissões, e
não apenas uma retórica exaltada”. O PSD
argumentou ainda que a ideia subjacente ao debate requerido era que a
ministra da Administração Interna “viesse ao parlamento explicar, não o
que aconteceu, mas como vai decorrer o processo eleitoral, uma vez que
este envolve uma grande logística”. Ferro
Rodrigues contrapôs que “a atualidade do debate chocava com o defendido
por outros no sentido de que o mesmo não deveria ocorrer enquanto
decorresse a campanha eleitoral”. O
deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, advogou
que para a AR “não era possível estar tantos dias sem fazer o
acompanhamento da atividade do Governo, ainda por cima tendo o Governo
uma situação orçamental complexa e havendo temas da maior urgência a
debater”, tendo o PAR respondido que “durante a campanha eleitoral, só
se podia reunir a CP para questões burocráticas urgentes”. De
acordo com a súmula, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares,
Duarte Cordeiro, adiantou que “o Governo viria à AR quando fosse
chamado, mas subscreveu o entendimento de que a AR não reunia em período
de campanha eleitoral”. O CDS-PP defendeu
que o parlamento “devia limitar o debate político ao estritamente
necessário”, não se opondo, no entanto, ao pedido do PSD.Segundo
a súmula, Telmo Correia fez ainda referência “ao episódio mediático –
desnecessário e absolutamente dispensável”, da retirada da placa do
gabinete do seu grupo parlamentar, “para o qual a comunicação social
teria sido avisada antecipadamente”.O PAR
“lamentou o sucedido e referiu que também tinha sido surpreendido com as
imagens que tinham passado na televisão a esse respeito”.PCP
e BE defenderam que a Comissão Permanente deveria reunir apenas em
situações excecionais. Já o PAN considerou “não ter objeções ao
agendamento de mais do que uma reunião da CP” e referiu que queria ouvir
o ministro do Ambiente e da Ação Climática neste órgão “sobre a
adaptação do país às alterações climáticas”. A
Comissão Permanente reúne-se na próxima quinta-feira (24), apenas com
assuntos administrativos, e a ministra da Administração Interna só irá
prestar esclarecimentos sobre a votação no círculo da Europa numa outra
reunião em 15 de março. A próxima conferência de líderes ficou marcada para o dia 08 de março.