Fernando Santos, o 'conquistador' que nunca gerou consenso segue para a Polónia
24 de jan. de 2023, 09:41
— Lusa/AO Online
Seguindo as pisadas de
Paulo Sousa, que também orientou os polacos, Fernando Santos 'herda' uma
Polónia que se ficou pelos oitavos de final do Mundial2022, em que
liderou os lusos até aos 'quartos', com o 'astro' Lewandowski à cabeça e
a ambição de se elevar da mediocridade que tem mostrado em torneios
internacionais recentes.A Federação Polaca
virou-se, assim, para o técnico de 68 anos, com vasta experiência a
liderar Grécia (2011-2014) e Portugal (2014-2022) em fases finais e
qualificações, com duas conquistas, Euro2016 e Liga das Nações, a
abrilhantarem um currículo que é, também, o dos dois troféus da seleção
portuguesa sénior, ainda que o futebol jogado tenha gerado muita
discussão.No cargo desde 2014, quando
sucedeu a Paulo Bento, Fernando Santos despediu-se da equipa das
‘quinas’ em dezembro, na sequência da eliminação nos quartos de final do
Mundial2022, no Qatar, perante Marrocos (1-0), uma derrota difícil de
aceitar, apesar de ter sido a terceira melhor prestação de Portugal na
maior prova global de seleções.Não
obstante, o técnico ficará eternizado na história do futebol português,
através das conquistas que ninguém antes dele conseguiu obter,
aproveitando a grande qualidade que teve ‘em mãos’ durante pouco mais de
oito anos ao serviço da equipa portuguesa, com a qual totalizou 67
triunfos em 109 encontros, tornando-se recordista em ambos.Embora
nunca consensual pelos adeptos lusos, face às críticas ao estilo
‘conservador’ – que recusava ter -, Fernando Santos logrou vencer logo
no seu primeiro teste de ‘fogo’, o Europeu2016, arrebatado de empate em
empate, à exceção do jogo das meias-finais.Portugal
empatou todos os jogos do grupo, face a Islândia (1-1), Áustria (0-0) e
Hungria (3-3), e, ‘bafejado’ pela sorte, qualificou-se como terceiro
classificado – na primeira vez em que isso foi possível -, e derrotou
Croácia (1-0, após prolongamento), Polónia (1-1, 5-3 nas grandes
penalidades) e País de Gales (2-0), até Éder virar ‘herói’ na final,
diante da França, e apontar o golo que derrotou a seleção anfitriã, aos
109 minutos do duelo.Fernando Santos
ganhou ‘crédito’ junto dos adeptos com o maior feito do futebol luso,
mas as críticas voltariam à tona no Mundial2018, com a eliminação aos
pés do Uruguai nos oitavos de final (2-1), ronda precoce do torneio para
o campeão europeu vigente.A mais jovem
competição continental de seleções, a Liga das Nações, teve a sua edição
inaugural no ano seguinte e Fernando Santos assumiu desde logo a
intenção de vencer o cetro, o que conseguiu, ainda por cima numa ‘final a
quatro’ disputada em Portugal, desta vez resolvido com um golo de
Gonçalo Guedes, frente aos Países Baixos, por 1-0.Visto
por muitos como o melhor conjunto de jogadores de sempre, a seleção
nacional voltaria a ‘fracassar’ no Euro2020, disputado em 2021 devido à
pandemia de covid-19, com nova ‘queda’ nos ‘oitavos’, agora perante a
Bélgica (1-0), depois de ultrapassar o grupo, mais uma vez, no terceiro
posto, atrás da líder França e da Alemanha, segunda.Este
ano, no Mundial2022, para o qual teve de se apurar através do
‘play-off’, uma vez que perdeu a qualificação direta para a Sérvia,
Fernando Santos assumiu o objetivo de voltar a fazer história e tornar
Portugal, pela primeira vez, campeão do mundo, mas o sonho esbarrou na
‘surpresa’ Marrocos, numa edição marcada por várias polémicas à volta de
Cristiano Ronaldo, que viria mesmo a perder a titularidade na fase a
eliminar.Antes de assumir o cargo em
Portugal, Fernando Santos tinha-se tornado um treinador de referência na
Grécia, ao comandar o AEK Atenas (onde venceu uma Taça da Grécia, em
2001/02), o Panathinaikos e o PAOK Salónica, até chegar à seleção
helénica, que treinou durante quatro anos e levou, em fases finais, ao
Euro2012 e ao Mundial2014.Fernando Santos e
a Grécia alcançaram os quartos de final do torneio europeu, onde
‘caíram’ frente à Alemanha (4-2), após um apuramento sem derrotas, e aos
‘oitavos’ do Mundial, disputado no Brasil, eliminados nas grandes
penalidades pela Costa Rica.Intercaladas
com as aventuras em solo grego, Fernando Santos assumiu os cargos de
treinador de Sporting e Benfica, fazendo com que se tenha tornado apenas
o quarto a orientar os três ‘grandes’, pois já tinha assumido a alcunha
de ‘engenheiro do penta’ no FC Porto, ao concluir, no último dos cinco
anos (1998/99), o feito inédito dos ‘azuis e brancos’, adicionando duas
Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira.Para
além dos ‘grandes’ - um pleno no qual se juntou a Jesualdo Ferreira, ao
brasileiro Otto Glória (que também orientou a seleção portuguesa) e ao
chileno Fernando Riera -, Fernando Santos passou pelo Estrela da
Amadora, tendo iniciado a carreira no Estoril Praia, onde transitou, em
1986/87, de defesa central para a equipa técnica do clube.Com
raízes familiares na localidade de Sorgaçosa, pertencente ao concelho
de Arganil, Fernando Santos licenciou-se em engenharia eletrónica e
telecomunicações, em 1977, durante a sua carreira de futebolista, onde
conquistou a segunda divisão, pelo Estoril, e agora vai conhecer novo
país na carreira, a Polónia, com 'casa' em Varsóvia, no Estádio
Nacional.