Fernando Pimenta encorajado pelos fãs a prosseguir carreira
Paris2024
13 de ago. de 2024, 11:32
— Lusa/AO Online
“Muitos
portugueses, e não só, têm-me escrito mensagens a pedir para eu
continuar. Depois de uma época tão difícil como esta, já me passou pela
cabeça atirar a toalha ao chão. Senti-me muito cansado, às vezes sem
cumprir objetivos, mas este empurrão ajuda bastante”, confidenciou aos
jornalistas, após a chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no
Porto.O limiano, de 34 anos, falhou a
possibilidade de se tornar o primeiro português a conquistar três
medalhas olímpicas na quarta participação em Jogos, após a prata em
Londres2012, em dupla com Emanuel Silva, na prova de K2 1.000 metros, e o
bronze em Tóquio2020, na sua distância predileta.“Sinceramente,
não senti peso nenhum. Foi o que sempre disse: havia uma probabilidade
de conseguir uma medalha, mas também havia de não conseguir nenhuma.
Infelizmente, saiu esta última probabilidade que não queríamos”,
lamentou.Fernando Pimenta terminou a final
em 3.29,59 minutos, a 5,52 segundos do novo campeão olímpico, o checo
Josef Dostal (3.24,07), num pódio completado pelos húngaros Ádám Varga
(3.24,76) e Bálint Kopasz (3.25,68).“Estava
no lote dos candidatos, mas no final não me consegui encontrar bem. Fiz
basicamente o mesmo tempo do que na meia-final, na qual tive uma boa
gestão. Senti que dei o meu máximo, mas não dei o meu melhor. Quando
assim é, ficamos tristes. Queria trazer uma medalha para Portugal. Saí
de lá sem qualquer medalha, mas com o moral muito em alta pelo apoio de
todos os portugueses”, reiterou.Com
desfecho idêntico ao Rio2016, onde foi quinto colocado em K1 1.000 e
sexto em K4 1.000, o canoísta voltou a ficar aquém da única medalha em
falta num extenso palmarés, com um total de 145 pódios, entre Jogos
Olímpicos, Mundiais e Europeus.“Nem uma
medalha consegue reconfortar esses momentos duros de treinos e de
ausência da família. Passámos muito tempo em estágio e receber este
carinho ajuda, não só a mim, mas também à minha família, aos amigos e a
quem me apoia, porque sentem que estão numa onda de energia positiva”,
valorizou.Os Mundiais de distâncias não
olímpicas e de maratonas seguem-se na agenda de Fernando Pimenta, que
almeja uma quinta presença olímpica em Los Angeles2028, nos Estados
Unidos, onde Messias Batista espera melhorar o sexto lugar alcançado com
João Ribeiro no K2 500 metros.“Já se
passaram alguns dias da final. Não vou esconder a tristeza que tenho de
não poder partilhar uma medalha olímpica com o João. Tínhamos
indicadores que nos permitiam sonhar com isso, mas tenho de estar
orgulhoso destes anos que fiz com o meu parceiro. Estou de consciência
tranquila de que fizemos todos os possíveis para chegar a Paris2024 na
melhor versão, mas o desporto é assim”, atirou.Oitavos
colocados na final de K4 500 em Tóquio2020, a par de Emanuel Silva e
David Varela, Messias Batista e João Ribeiro partiram para França como
campeões mundiais de K2 500 e apontavam às medalhas, mas não passaram do
diploma olímpico.“Não há ‘replay’ e isso é
que torna o desporto interessante. Os Jogos Olímpicos têm um pouco esse
mistério de naquele momento ter de correr tudo bem. Não desprezo os
adversários, que foram melhores, mas gostava de estar aqui a festejar
com uma medalha”, admitiu, logo após ter testemunhado uma receção
apoteótica dos campeões olímpicos Iúri Leitão e Rui Oliveira, vencedores
da prova de madison de ciclismo de estrada, no aeroporto.Messias
Batista promete espairecer a mente depois do Mundial de distâncias não
olímpicas, ciente de que “há novas oportunidades” a cada novo ciclo
olímpico, cenário ininterruptamente vivido pela também canoísta Teresa
Portela desde Pequim2008.“Sinto que estou
bem, mas se [em 2028] forem os meus sextos Jogos, será porque as coisas
se encaminharam. Estou muito tranquila com o que tenho feito”, assumiu.Portela
assegurou estar satisfeita pelo 10.º lugar obtido perante “excelentes
atletas” no K1 500 metros, após ter falhado por 41 centésimos de segundo
a presença na decisão principal, sendo relegada para a final B, na qual
foi segunda classificada.“Nunca fui à
procura de ser a que tem mais Jogos Olímpicos, as coisas sempre foram
acontecendo. Sinto-me muito tranquila com o que fiz e estive muito
competitiva nos Jogos, a ficar praticamente no top 10”, recordou a
esposendense, cuja melhor classificação individual foi o sétimo lugar em
K1 1.000 em Tóquio2020.