Fernando Gomes disponível para ir à AR e para esclarecer BE
25 de jan. de 2023, 11:27
— Lusa/AO Online
O
BE vai solicitar uma audição com caráter de urgência ao presidente da
FPF, Fernando Gomes, para explicar os contratos com o espanhol Roberto
Martínez e Fernando Santos, atual e anterior selecionadores,
respetivamente, segundo o requerimento a que a Lusa teve acesso.“O
presidente da FPF estará disponível, como sempre esteve no passado,
para participar em qualquer iniciativa das comissões parlamentares”,
assegurou fonte oficial federativa, questionada pela Lusa sobre o
requerimento apresentado à Comissão de Orçamento e Finanças da AR.O próprio dirigente assegurou esta disponibilidade, “o mais depressa possível, caso a presença tenha utilidade”. “O
presidente da FPF estará disponível já a partir da próxima sexta-feira,
caso assim seja entendido, após compromisso internacional agendado para
esta semana”, detalhou a mesma fonte, acrescentando que, caso a audição
não seja aprovada, “Fernando Gomes manterá a mesma disponibilidade para
receber na Cidade do Futebol uma delegação do BE”.No
requerimento apresentado pelo BE, a que a Lusa teve acesso, o pedido de
audição ao presidente federativo fica a dever-se a notícias de que "o
Ministério Público estará a investigar suspeitas de crime fiscal na
forma como a FPF pagou os salários a Fernando Santos e à equipa técnica
da seleção nacional de futebol masculino"."Em
setembro de 2014, a FPF terá realizado um contrato de prestação de
serviços com a empresa do selecionador, a Femacosa, criada nesse mesmo
ano. Segundo o jornal Expresso, o selecionador terá recebido, em 2016 e
2017, através desta empresa, 10 milhões de euros (tendo 25% sido
transferido para sociedades entretanto criadas pelos adjuntos). Mas
apenas declarou e pagou IRS sobre o salário anual de 70 mil", acrescenta
o documento.De acordo com o BE, "a forma
de pagamento dos salários esteve na origem da exigência da liquidação de
4,5 milhões de euros de impostos feita pela Autoridade Tributária, que
considerou que, com esta fórmula, o selecionador terá tentado fugir ao
pagamento de impostos mais elevados por via do IRS".O
Bloco chama a atenção para, mais recentemente, a FPF não ter revelado,
até ao momento, "quanto vai pagar ao novo selecionador [o espanhol
Roberto Martinez] e recusa-se a explicar que tipo de contrato vai
celebrar com a equipa técnica do treinador espanhol: se continua a
querer contratar tudo em pacote, a uma empresa que coordena a equipa
técnica, ou se celebrará contratos individuais”.Aquele
partido lembra que "a FPF é uma pessoa coletiva sem fins lucrativos, de
utilidade pública, constituída sob a forma de associação de direito
privado, que tem por principal objetivo promover, regulamentar e dirigir
o ensino e a prática do futebol em todas as variantes e competições,
com competência exclusiva em Portugal para organizar seleções nacionais
da modalidade".Deste modo, "o caráter de
utilidade pública desta entidade e a importância que esta modalidade
desportiva assume impõem à FPF uma obrigação de transparência e rigor”. “As
suspeitas de fuga aos impostos e à segurança social são contrárias a
essa obrigação. Por tudo isto, é essencial o cabal esclarecimento sobre
os mecanismos de pagamento e os contratos celebrados pela FPF", afirma.Fernando
Santos comandou a seleção entre outubro de 2014 e dezembro de 2022,
tendo conquistado os dois primeiros troféus internacionais seniores por
Portugal, com a vitória no Euro2016 e na Liga das Nações de 2019.O espanhol Roberto Martínez foi apresentado como sucessor do agora selecionador da Polónia, em 09 de janeiro último.