Férias judiciais começam esta quarta-feira com interrupção de julgamentos mediáticos
16 de jul. de 2025, 11:51
— Lusa/AO Online
As
semanas que antecederam esta paragem ficaram marcadas pelo início da
Operação Marquês, que tem como principal arguido o antigo
primeiro-ministro José Sócrates, e pela greve dos magistrados do
Ministério Público, que resultou no adiamento de diligências por todo o
país.O julgamento de José Sócrates e de
mais 20 arguidos, acusados de 117 crimes de corrupção, branqueamento de
capitais e fraude fiscal, começou em 3 de julho e o coletivo liderado
pela juíza Susana Seca segue para o período de férias judiciais sem a
conclusão das declarações iniciais do ex-primeiro-ministro socialista,
que falou durante três das quatro sessões realizadas.Para
setembro fica também a continuação do julgamento do processo principal
relacionado com a falência do Banco Espírito Santo (BES).Neste
caso, em que o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, é o principal
arguido, o tribunal ouve ainda as testemunhas - há mais de 700
testemunhas chamadas pela acusação e pelas defesas.Ainda
na área da banca, a Justiça interrompe também o julgamento do processo
relacionado com o BES Angola (BESA) e que inclui crimes como abuso de
confiança, branqueamento e burla.Além de Ricardo Salgado, o ex-presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, é outro dos principais arguidos.Para
depois das férias judiciais fica também a leitura do acórdão do caso
relacionado com insultos e tentativas de agressão de negacionistas ao
ex-almirante Henrique Gouveia e Melo e a Ferro Rodrigues, ex-presidente
da Assembleia da República.Em setembro, os 10 arguidos deste processo ficam a conhecer o resultado de três sessões de julgamento.Outro caso que também não fica ainda fechado é o processo das golas antifumo, cujo acórdão ficou marcado para outubro.Um
dos 19 arguidos deste processo é o ex-secretário de Estado da Proteção
Civil José Artur Neves e em causa estão crimes de fraude na obtenção de
subsídio, participação económica em negócio e abuso de poder,
relacionados com a contratação pública e compra de golas de autoproteção
no programa “Aldeia Segura — Pessoas Seguras”, lançado na sequência dos
incêndios florestais de 2017.Outra
decisão que não ficou conhecida antes de setembro está relacionada com o
processo em que a dupla de cantores “Anjos” exige uma indemnização de
mais de um milhão de euros, por prejuízos que terão sido causados por um
vídeo divulgado pela humorista Joana Marques. Para
depois destas férias judiciais fica o início do julgamento do agente da
PSP, acusado do homicídio de Odair Moniz, na Cova da Moura, Amadora, em
outubro do ano passado. A primeira sessão está marcada para o dia 15 de
outubro, no tribunal de Sintra. Também o
julgamento da Operação Lex, que envolve o antigo presidente do Benfica
Luís Filipe Vieira e o ex-desembargador Rui Rangel, tem início a 15 de
outubro, decidiu o Supremo Tribunal de Justiça esta terça-feira, antes
do início das férias judiciais. O caso de
Duarte Lima também poderá conhecer desenvolvimentos depois do dia 31 de
agosto, uma vez que o Ministério Público pediu, no início deste mês, um
prazo de 45 dias para receber do Brasil as gravações que faltam no
processo do antigo deputado do PSD, acusado do homicídio de Rosalina
Ribeiro, em 2009.Caso não chegue nenhuma
informação do Brasil, o Ministério Público vai pronunciar-se no sentido
de pedir ou não o início de julgamento. No
âmbito de investigações, as férias judiciais arrancam com alguns casos
mediáticos sem conclusão. O resultado da investigação preventiva à
Spinumviva, empresa da família de Luís Montenegro, ainda não é
conhecido, não se sabendo até ao momento se a mesma foi arquivada ou se
foi aberto inquérito.