Fenprof reconhece abertura da tutela do Ensino Superior para negociar apesar de divergências
24 de nov. de 2020, 12:34
— Lusa/AO Online
A Fenprof foi recebida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior, Manuel Heitor, numa reunião que classificou como positiva pelo
simples facto de se ter realizado.“Esse é
o aspeto positivo, ter havido uma reunião em que foi possível
identificar problemas e apontar para processos de negociação”, disse o
secretário-geral da federação, recordando as tentativas até agora
falhadas de reunir também com o ministro da Educação. Mário
Nogueira disse à Lusa que do lado da tutela pareceu haver
disponibilidade para dar continuidade à negociação de algumas questões,
designadamente a revisão dos estatutos de carreira docente e de
investigação, e a contratação coletiva no setor privado, mas avisa que é
preciso que as promessas se concretizem.“Se
esta reunião vai ou não estar na origem de soluções para os problemas?
Isso é o que vamos ver, dependendo agora de se avançar com estas
reuniões de acordo com o compromisso que ali foi apresentado”,
sublinhou. Sobre a revisão dos estatutos
de carreira, o ministério já avançou com alguns termos de referência e
objetivos e até janeiro os representantes dos professores vão entregar
as suas propostas, seguindo-se depois um processo negocial de revisão.A
negociação sobre o processo de contratação coletiva poderá estar
concluída até março do próximo ano, uma data que apontada pela tutela,
de acordo com a Fenprof.Durante a reunião,
e estrutura sindical levou também para cima da mesa a questão da
precariedade, um dos temas em que os dois lados divergiram.“Tema
forte desta reunião foi o da precariedade, com o MCTES a considerar que
se avançou muito na redução dos níveis de precariedade e a Fenprof a
rebater essa apreciação com os fracos números do PREVPAP mas também com o
facto de a larga maioria dos seis mil contratos que foram celebrados
nos últimos três anos (desde 2017) serem a termo”, refere a federação
sindical em comunicado.Sobre este tema, a
Fenprof está a concluir um estudo que diz confirmar que os avanços “são
muito curtos” e que continua a verificar-se um abuso no recurso à
contratação a termo e a outras formas mais instáveis de precariedade.Também
o Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) mereceu críticas por parte da
Fenprof, que não acompanha aquilo que descreveu como “otimismo” do
Governo.“O ministro entende que, neste
momento, as condições quer de tesouraria, quer de financiamento das
instituições estão a atravessar um momento muito positivo e nós não
achamos isso. Achamos que o ensino superior e as instituições continuam a
viver uma fase de subfinanciamento que está na origem de muitos
problemas”, lamentou.