Fenprof reafirma disponibilidade total para a luta
6 de set. de 2018, 09:42
— Lusa/AO Online
A
moção foi debatida em plenário e aprovada após um desfile de dirigentes
e delegados dos sindicatos dos professores que integram a Fenprof. Mais
de 500 delegados e dirigentes sindicais da Fenprof analisaram o ponto
de situação negocial e prepararam a reunião com o governo marcada para
sexta-feira, assim como a luta que pretendem desenvolver desde o início
deste ano letivo.Na
moção, os docentes exigem a integração de nove anos, quatro meses e
dois dias, para o cumprimento no disposto no Orçamento do Estado de
2018, assim como o imediato reposicionamento dos professores que
ingressaram na carreira durante o último período de congelamento, com
pagamento de retroativos.Os
dirigentes sindicais defendem ainda a regularização dos horários de
trabalho dos docentes, com o envio, imediato, de esclarecimentos às
escolas, assim como a aprovação de normas específicas de aposentação dos
docentes que tenham em conta o reconhecido desgaste físico, psíquico e
psicológico provocado pelo exercício da profissão.Relativamente
ao processo negocial sobre a carreira, os dirigentes e delegados
sindicais garantem que vão mobilizar os docentes para a luta caso o
governo não contabilize integralmente o tempo de serviço dos docentes.Uma
das ações previstas será a realização de plenários em todas as escolas
no inicio do ano letivo, a realização de greves na primeira semana de
outubro e uma manifestação nacional a 05 de outubro, Dia Mundial do
Professor.Durante
o desfile que realizaram desde a rua Castilho até à Praça do Comércio,
junto ao Ministério das Finanças e atual residência oficial do
Primeiro-Ministro, os sindicalistas gritaram várias palavras de ordem
colocando a tónica na questão do congelamento das carreiras.“Não
basta prometer, é preciso resolver”, “todo o tempo é para recuperar, só
prazo e modo é para negociar” e “exigimos negociação sobre aposentação”
foram algumas das palavras de ordem do desfile.Ao
protesto dos professores juntaram-se deputados do PCP e do Bloco de
Esquerda, assim como o secretário geral da CGTP-IN, Arménio Carlos,
manifestando o apoio aos docentes sobre o tempo de serviço e condenando o
relatório da Comissão Europeia que alertou para o impacto da reposição
de tempo de serviço no cumprimento das obrigações do Estado. Joana
Mortágua, do Bloco de Esquerda disse que a Comissão volta a pôr-se "do
lado da doença e não do remédio" para a crise que o país atravessou,
“não aprendeu nada com a recuperação económica do país, não aprendeu
nada sobre a importância dos direitos, apenas quer impor uma receita
antiga, austeridade para pagar uma divida (…)”
“Achamos que o governo deve ter toda a abertura para contar
integralmente quase uma década de trabalho que os professores dedicaram à
escola pública, está nas mãos do Governo um início do ano letivo com
tranquilidade”, frisou.Arménio
Carlos referiu que o Governo assumiu um compromisso no Orçamento do
Estado e que neste momento não está a ser cumprido, competindo ao
executivo assumir as suas responsabilidades.“O Governo não pode deixar e responder até porque não lhe faltará apoio na Assembleia da República”, disse.Sobre
o alerta da Comissão Europeia, Arménio Carlos referiu que para essa
instância tudo o que tem a ver com o social “é um problema diabólico”.“Nós
pensamos o contrário. Foram as políticas que implementaram contra os
salários que colocaram o nosso pais numa recessão. Em vésperas do
Orçamento do Estado esta é uma pressão sobre o Governo”, frisou.