Fenprof pede aos pais que não levem os filhos às escolas face à greve
2 de mar. de 2023, 11:34
— Lusa/AO Online
“Apelamos aos
pais para que não levem os filhos às escolas. Primeiro, por razões de
solidariedade. Penso que os pais percebem as razões da luta dos
professores (…). Mas, por outro lado, também porque como estes serviços
mínimos não são iguais em todo o lado, pode acontecer que muitos alunos
tenham uma aula e fiquem sem nada no resto do dia”, afirmou o
secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário
Nogueira, que falava aos jornalistas à frente da Escola Secundária D.
Dinis, em Coimbra.Hoje, a greve decorre nos distritos de Coimbra para norte, seguindo na sexta-feira para os distritos de Leiria para sul.No
entanto, os professores têm de assegurar serviços mínimos decretados na
segunda-feira pelo tribunal arbitral, incluindo três horas de aulas no
pré-escolar e 1.º ciclo e três tempos letivos diários por turma no 2.º e
3.º ciclos e ensino secundário, de forma a garantir, semanalmente, a
cobertura de todas as diferentes disciplinas.Criticando
os serviços mínimos “forçados”, Mário Nogueira defendeu que pode haver
casos em que os diretores das escolas, ao fazerem a conta às aulas dadas
durante o resto da semana, considerem que as “turmas tiveram todas as
disciplinas e, face a isso, entendam que não há serviços mínimos a serem
prestados”.“Há o risco de os alunos poderem ficar na rua”, notou.O
dirigente sindical salientou que os professores têm sentido “a
solidariedade dos pais”, realçando que a sondagem que aponta para uma
grande maioria da população solidária com a luta dos docentes dá mais
força ao seu protesto. “Os motivos para
continuar com a greve são mais do que muitos. Acabámos ontem
[quarta-feira] uma consulta nacional aos professores. Daí resulta que os
professores querem continuar a lutar e vão continuar a lutar. No dia 07
[de março], em Lisboa, diremos de que forma”, referiu.Mário
Nogueira considerou ainda que “há uma perseguição do Governo aos
professores”, recordando que para a greve na função pública, convocada
para sexta-feira, não há serviços mínimos. No
sábado, haverá duas manifestações, no Porto e em Lisboa, com Mário
Nogueira a sublinhar que as razões são mais do que muitas para uma
grande adesão: “O tempo de serviço, as vagas, os problemas de
precariedade e este tratado para desterrar os professores que é o regime
de concursos que aí vem”.Em declarações à
comunicação social, o secretário-geral da Fenprof apelou ainda aos
professores para estarem atentos à presença do ministro da Educação,
João Costa, ou do primeiro-ministro, António Costa, no terreno.“Não
basta apenas a greve, a manifestação ou as reuniões negociais. É
preciso, quando o ministro ou o primeiro-ministro se desloquem seja onde
for, que os professores marquem presença e estejam aí a reclamar”,
asseverou.