Fenprof exige medidas claras para ensino a distância no 3.º período
Covid-19
26 de mar. de 2020, 13:53
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, o secretário-geral da Fenprof defendeu que “para um
ano excecional têm que haver medidas excecionais”, sublinhando que os
alunos vão sofrer prejuízos inevitáveis porque o ensino a distância não é
equiparável às aulas presenciais. “As
implicações deste ano irão sentir-se, no mínimo, no próximo ano com
adaptações que, provavelmente a nível dos currículos e de outros tipos
de organização escolar, têm também que ser feitas”, afirmou Mário
Nogueira.Num comunicado distribuído hoje, a
federação de professores insiste que “no contexto da exceção que se
vive, é estranho que os responsáveis do Ministério da Educação continuem
sem revelar uma alternativa para tudo o que ainda falta até final do
ano em curso”.O 3.º período do ano letivo
arranca no dia 14 de abril, na mesma altura em que as autoridades de
saúde e o Governo preveem a ocorrência do pico da curva epidemiológica,
mas a estrutura sindical alerta que se as aulas retomarem com o modelo
atual, de ensino à distância, a tutela deve apresentar medidas claras e
assertivas para ultrapassar as dificuldades atuais. Questionando
se os professores vão conseguir concluir os programas curriculares este
ano devido às circunstâncias, Mário Nogueira considerou que uma das
questões mais urgentes a que o Ministério da Educação deve responder diz
respeito à avaliação, afirmando que a do 2.º período não pode ser
atribuída como avaliação final. Sobre a
avaliação externa, a Fenprof admite a não-realização das provas de
aferição do ensino básico e do 2.º ciclo, bem como das provas finais do
3.º ciclo, defendendo que a avaliação final deve resultar da avaliação
interna, mas sublinha que os exames nacionais do ensino secundário
representam uma questão muito mais complexa.“O
Governo vai ter que fazer uma opção, entre um regime excecional de
acesso ao ensino superior, e aí os exames de ensino secundário não se
realizam, ou então, mantendo-se (os exames), terá que haver uma
recalendarização”, disse o secretário-geral à Lusa. Por
outro lado, a Fenprof sublinha que, apesar do esforço das escolas, dos
professores e dos próprios alunos ao longo das duas primeiras semanas de
aulas a partir de casa, persistem alguns problemas difíceis de
ultrapassar, designadamente a maior dificuldade de alguns alunos no
acesso aos recursos e materiais de estudo necessários, decorrente de
diferenças económicas e sociais com consequências agora acentuadas.“Não
é possível substituir de forma instantânea o ensino presencial por
ensino a distância tendo como referência o caráter universal que se
exige da Escola Pública”, escreve a federação no em comunicado,
sublinhando que o ministério “tem a obrigação de garantir um mínimo de
equidade na resposta em todo o território nacional”. As
aulas presenciais estão suspensas em todos os estabelecimentos de
ensino desde 16 de março, uma das várias medidas excecionais do Governo
para conter a propagação da covid-19 em Portugal, e que será revista no
dia 09 de abril, antes do início do 3.º período letivo.