Fenprof exige investimento na Educação e avisa que professores "não adormeceram"
23 de set. de 2024, 12:20
— Lusa/AO Online
“O
próximo Orçamento do Estado vai ser uma radiografia das intenções do
Governo”, disse Mário Nogueira em Aveiro, advertindo que “os professores
não adormeceram em cima da almofada da recuperação do tempo de
serviço”, reivindicação do tempo da ‘troika’ que o Governo começou a
resolver.Mário Nogueira, em conferência de
imprensa destinada a apresentar os resultados de um levantamento das
condições no início do ano escolar, traçou as metas que os professores
vão reivindicar.A Fenprof quer que o
próximo Orçamento do Estado espelhe “o caminho para atingir os 6% até ao
final da legislatura” de investimento na Educação, passando de 3,2%
para 4,5% já em 2025.A par do aumento do
investimento, a Federação Nacional de Professores exige a valorização
das carreiras para atrair jovens para a profissão, na revisão do
Estatuto da Carreira Docente.As
reivindicações começam hoje a ser discutidas em plenários distritais em
Aveiro e Beja, estando agendados dois por dia, por ordem alfabética dos
distritos, terminando em 03 de outubro em Viseu e Vila Real.Após
essa ronda distrital de plenários, a Fenprof convoca para 05 de
outubro, Dia Mundial do Professor, os docentes a concentrarem-se em
Lisboa, no Rossio, desfilando depois para o Largo de Camões.Entre
12 e 20, correspondendo aos primeiros dias de atividade letiva nas
escolas, a Fenprof recolheu informação sobre as condições de abertura,
junto das direções de mais de 400 escolas.“Em
relação às medidas tomadas pelo Governo, não se nota diferença em
relação ao ano anterior e neste momento são cerca de 100 mil os alunos
sem professor”, afirmou o secretário-geral da Fenprof.Os
problemas detetados nesse levantamento “não se esgotam na falta de
professores, sendo a causa principal a falta de investimento”.A
sobrelotação das escolas é um deles, com um fenómeno recente que é a
frequência de filhos de imigrantes, que nalguns casos chegam a ser 14%, e
faltam também professores de Português como língua não materna.Outra
das questões é o excesso de alunos por turma, com cerca de 42% das
escolas inquiridas a admitirem que o número excede os limites legais,
nomeadamente quando há alunos com necessidades especiais.Faltam
também, sobretudo a sul, professores de Educação Especial, e
assistentes operacionais em 44,5% das escolas, “apesar da transferência
de competências para os municípios”.O amianto ainda presente em 8% das escolas, e as infiltrações de água, são dois problemas identificados quanto ao edificado.