Fenprof entrega abaixo-assinado com mais de 45 mil subscritores ao Ministério
3 de jan. de 2023, 14:46
— Lusa/AO Online
“Quisemos
explicar tudo o que trouxe os professores para a rua, que tem a ver com
as intenções do Ministério em relação aos concursos”, disse o
secretário-geral da Fenprof após ter sido recebido pelos chefes de
gabinete do ministro e do secretário de Estado da Educação.As
assinaturas começaram a ser recolhidas em setembro, após a primeira
reunião negocial, e as primeiras 20 mil subscrições foram entregues no
final de novembro. Entretanto, foram reunidas mais cerca de 25 mil
subscrições, totalizando 45 mil, o que representa 27% do número total de
educadores e professores pré-escolar e ensinos básico e secundário.O
abaixo-assinado foi entregue no final de uma concentração que juntou
várias centenas de professores em frente ao Ministério da Educação, em
Lisboa, no primeiro dia do 2.º período letivo, marcado por greves que se
deverão prolongar durante todo o mês de janeiro.Além
de problemas relacionados com a carreira e condições de trabalho,
apontados há vários anos pelos sindicatos, o protesto foi também
motivado pelo processo negocial que está a decorrer sobre a revisão do
regime de recrutamento e mobilidade docente.Na
última reunião, no início de novembro, o ministro da Educação, João
Costa, apresentou algumas propostas gerais que previam, por exemplo, a
transformação dos atuais 10 quadros de zona pedagógica em mapas docentes
interconcelhios, alinhados com as 23 comunidades intermunicipais, bem
como a criação de conselhos locais de diretores que decidiriam sobre a
alocação às escolas dos professores integrados em cada mapa.“Há
um conjunto de matérias que são absolutamente inaceitáveis para os
professores”, afirmou Mário Nogueira, reiterando o ultimato para que até
ao dia 10 de janeiro o Ministério responda às reivindicações dos
docentes, recuando nas propostas para os concursos e abrindo processos
negociais sobre outras matérias.“Depois de
alguns meses de tolerância, ficamos intolerantes”, acrescentou,
considerando, por outro lado, que “se o Governo acha que tem custos
resolver os problemas que afetam a classe docente e não se importa com
os custos que existem por não haver professores qualificados nas
escolas, está a pensar mal.Após esse
prazo, a Fenprof está a preparar um acampamento junto ao Ministério da
Educação entre os dias 10 e 13 e convocou, em articulação com outros
sete sindicatos, uma greve por distritos, durante 18 dias entre 16 de
janeiro e 08 de fevereiro. No dia 11 de fevereiro, realiza-se uma
manifestação nacional organizada pelas oito organizações.“Se
quiser dar resposta às questões, marca uma reunião para breve. Se achar
que está bem como está, vamos à luta e tenderá a ser cada vez mais
forte”, disse Mário Nogueira, admitindo mais ações de luta em
fevereiro. Durante cerca de duas horas, os
professores concentrados em frente ao Ministério da Educação, vindos de
várias zonas do país, gritaram palavras de ordem como “Diretores a
recrutar, não iremos aceitar” ou “Todo o tempo é para contar, não é para
roubar”.Entre apitos e buzinas, os professores gritam a palavra "Respeito", repetida também nos cartazes que seguram.“Estamos
cansados, fartos e queremos ser respeitados”, disse à Lusa Elisabete
Martinho, professora de Português na Escola Secundária Doutor José
Afonso, no Seixal, manifestando-se contra a possibilidade de os
professores serem contratados diretamente por diretores escolares.Por
outro lado, a professora, que leciona há mais de 30 anos, lamentou
também as alterações ao regime de mobilidade por doença, que a impediram
de ficar numa escola mais próxima de casa, apesar de ser doente
oncológica, e criticou as vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões que a
têm impedido de progredir na carreira, apesar de cumprir os critérios.“Quando
estamos a lutar contra todos estes problemas, estamos também a exigir
uma melhor educação para todos”, acrescentou Maria José Silva,
professora no Conservatório de Música do Porto, que referiu outras
questões como o desgaste associado à profissão e a necessidade de
rejuvenescimento da profissão.